Sol, sim... mas sem abusar! Nem oito nem 80. Os raios solares em excesso são prejudiciais. Mas, com conta, peso e medida, podem melhorar a sua saúde
Apanhar banhos de sol continua a ser um grande prazer para muitas pessoas e um dos rituais das férias de Verão mais ansiados ao longo do ano. Para além da tão desejada cor que vai dando à pele, produz uma enorme sensação de bem-estar, quase viciante. No entanto, como explica o dermatologista Vasco Sousa Coutinho, a exposição ao sol não é inócua: pode ter efeitos benéficos ou prejudiciais para a saúde, dependendo de como for feita. Assim, se quer proteger a sua pele dos danos causados pelas radiações ultravioleta (UV) e, ao mesmo tempo, aproveitar os seus benefícios, continue a ler. Como desfrutar o sol sem correr riscos Os dermatologistas recebem com frequência pacientes cuja pele está prematuramente envelhecida pelo sol, por não a terem protegido. É fundamental dar tempo à pele para activar as suas defesas, proporcionar-lhe os nutrientes essenciais para se hidratar e fabricar melanina e evitar que o excesso de sol supere a sua capacidade defensiva. Para que a sua pele chegue jovem à idade madura, siga os seus conselhos: Exponha-se de forma progressiva Assim, a pele poderá ir criando a sua própia protecção através da produção de melanina e do engrossamento da sua camada externa (epiderme). "No primeiro dia, comece por apanhar sol durante períodos curtos que vai aumentando, pouco a pouco (intervalando com períodos de exposição indirecta, à sombra), sem prolongar a exposição por mais de duas ou três horas", aconselha o dermatologista Sousa Coutinho. Tenha em conta que a pele demora cerca de três dias a começar a fabricar a melanina nova, que é a que produz um bronzeado duradouro. Aplique protector solar Espalhe-o sobre a pele limpa e seca, meia hora antes de ir para a praia ou piscina e repita sempre que necessário. Mesmo os solares resistentes à água só resistem sobre a pele entre duas a quatro horas, consoante transpire mais ou menos ou vá mais ou menos vezes ao banho. Escolha o SPF (factor de protecção) em função do seu fototipo (ver página) e do índice de radiação UV a que se vai expor (se precisar de ajuda, a marca Nivea indica-lhe o SPF recomendado de acordo com a região, época do ano e tipo de pele, em www.nivea.pt Espalhe a quantidade adequada Se aplicar uma camada de creme demasiado fina, a protecção será mínima, mesmo que o produto tenha um SPF alto. Recomenda-se 2 mg por cada cm2 de pele, ou seja, uma camada visível ao princípio mas que rapidamente é absorvida. As pessoas carecas ou com pouco cabelo também precisam de protecção no couro cabeludo. É muito importante que usem chapéu e que apliquem um protector com SPF alto. Evite o sol a pique Entre as 12 e as 16 horas é quando os raios de sol incidem mais verticalmente e danificam mais a pele. Como a hora solar não coincide com a oficial, a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo aconselha a guiar-se pela projecção da sua sombra no chão: "sombra aumentada, hora apropriada" (isto é, quanto mais curta for a sombra projectada mais perigosa é a radiação solar). E lembre-se que mesmo que o dia esteja nublado, também pode queimar-se, porque as nuvens deixam passar até 80% dos raios UV. O risco chega a ser maior nestas ocasiões, porque a sensação de não estar sol induz ao descuido com a protecção. Cuidado com os reflexos O dermatologista Sousa Coutinho lembra que "mesmo que não esteja directamente exposta ao sol, pode estar a receber os raios UV": a relva reflecte 3 a 10 por cento da radiação solar; a água, 20 a 50 por cento; e uma superfície branca, como a neve ou uma parede caiada, quase 85 por cento. E não se julge protegida debaixo do chapéu de sol (a areia reflecte até 25 por cento da radiação solar) nem atrás de uma janela: o vidro bloqueia uma boa parte dos UVB (os que queimam), mas deixa passar os UVA (os que envelhecem). Tenha em conta a sua localização Quanto mais próxima estiver do Equador, mais verticais são os raios solares, circunstância essa que se intensifica no Verão e se reduz no Inverno. Por outro lado, na montanha precisa proteger-se mais do que na praia porque, em cada 300 metros acima do nível do mar, a dose de raios UV aumenta 4 a 5 por cento, já que a camada de atmosfera que os filtra diminui. Proteja os olhos com óculos de sol anti-UV A radiação solar pode causar cataratas e fotofobia, e afectar a conjuntiva e a córnea, aumentando o risco de alterações cancerígenas. Nas lojas de óptica encontra óculos com filtros solares adequados a cada necessidade: praia, montanha, neve... Cuidado: não se deite de barriga para cima com os óculos postos: actuam como uma lupa e podem queimar-lhe as pálpebras e até os olhos. Siga uma dieta protectora Para que surta efeito, comece-a um mês e meio antes de ir de férias e continue a segui--la durante todo o período em que vai estar exposta ao sol. Deve incluir: verduras e frutas em abundância, sobretudo as de cor vermelha e laranja, como cenoura, alperce, melancia e pimentos; cereais integrais, peixe azul, frango ou peru, azeite, lacticínios magros, e muitos líquidos (água, sumos ou chá verde) para evitar a desidratação. Assim obterá vitaminas A, E e C, selénio, zinco e coenzima Q10, eficazes antioxidantes que previnem o fotoenvelhecimento; betacarotenos, que contribuem para a produção de melanina; ácidos gordos ómega 3 e 6, que evitam o dano e a desidratação celular e ajudam a reparar as células; e potássio, muito importante no metabolismo celular. Acalme a pele depois de apanhar sol Elimine a areia, o sal ou o cloro com um duche ainda na praia ou na piscina. Em casa, tome banho com gel e champô after sun e aplique um leite ou creme reparador pós-solar na cara e corpo; estes produtos têm activos hidratantes, regenerantes e calmantes (vitaminas A e E, bisabolol ou aloé vera, por exemplo), que paliam o ardor, a vermelhidão, a secura... mas não as lesões produzidas pelos UV. Se estiver a tomar medicação... Pergunte ao seu médico se pode apanhar sol. Há fármacos (antibióticos, sulfamidas, anti-histamínicos, salicilanilidas, psicotrópicos, anticonceptivos, etc.) que são fotosensibilizantes e podem produzir reacções na pele exposta ao sol. Informe-se diariamente acerca da radiação ultravioleta existente Consulte o site do Instituto de Metereologia (clique em Ambiente e depois seleccione o quadro Ultra-violeta). Se o resultado for 0-2, o risco de exposição é baixo ; 3-5, moderado; 6-7, alto; 8-10, muito alto; 10 ou mais, extremo. A cada fototipo o seu SPF A protecção recomendada a cada fototipo (com uma pele sem outros problemas adicionais), em condições de radiação moderada é: Fototipo I Fototipo II Fototipo III Fototipo IV Há mais três fototipos: o 0, que corresponde aos albinos; o V, à raça cigana, árabe, indiana...; e o VI, à negra. Atenção! O SPF que figura nas embalagens refere-se à protecção contra os raios UVB, mas o produto também deve conter protecção UVA. Como nos beneficia Os raios solares não são tão maus como os pintam. Desde que não sejam ultrapassados determinados limites, a luz do sol tem grande influência na saúde e bem-estar geral dos seres humanos. Eis o que pode fazer por si, desde que respeite as regras mínimas de segurança: Fortalece os ossos. É graças à radiação solar que a pele sintetiza a vitamina D, imprescindível para que o cálcio se fixe nos ossos. Pela mesma razão, combate o raquitismo. Previne e melhora a depresão. A luz do sol favorece o equilíbrio psíquico. Sem ela, o corpo não produz melatonina, uma substância euforizante e anti-depressiva, que também induz o sono. Relaxa e dá prazer. Na sua presença, o cérebro segrega endorfinas, hormonas que actuam como a morfina: aliviam a dor e produzem sensação de bem-estar. As endorfinas promovem ainda a vasodilatação e um melhor aporte de oxigénio aos tecidos. Melhora a psoríase, o eczema e, em parte, a acne, por diminuir a inflamação; mas a exposição deve ser moderada para evitar o efeito inverso. Activa as defesas da pele. Perante a exposição solar, a pele reage de duas formas: aumenta a sua espessura, principalmente devido aos raios ultravioleta B (UVB); e escurece, primero por causa dos raios ultravioleta A (UVA), que produzem um tom moreno precoce e transitório devido à libertação de melanina (o pigmento que dá cor) pré-existente, e depois por causa dos UVB, que obrigam à produção melanina nova. Atenção: Para obter todos estes benefícios sem riscos, basta receber a luz do sol de forma indirecta, à sombra. Como nos prejudica Os dermatologistas passam a vida a referi-lo, sobretudo nos meses que antecedem o Verão. Apesar da pele saudável ter capacidade para se defender do sol e para se autoreparar em caso de dano, convém não abusar. Se não tiver um mínimo de cuidado, essas funções acabam por se esgotar, ficando exposta a:
Proteja a sua pele a partir de dentro Na hora de proteger a sua pele, todos os cuidado são poucos. Experimente tomar um suplemento alimentar solar 15 dias antes, durante, e 15 dias depois das férias. Desta forma, a sua pele proteger-se-á melhor do sol. Quando os for comprar, leia primeiro os rótulos das embalagens. Lembre-se que lhe interessam os que contêm: Betacaroteno Este precursor da vitamina A acelera a produção de melanina, assegurando à pele o desenvolvimento de um ecrã interno protector que previne o eritema solar. Tem também uma acção antioxidante que reduz o efeito dos radicais livres (moléculas instáveis relacionadas com processos degenerativos como o envelhecimento e o cancro, cuja formação pode ser induzida pela radiação solar). Óleo de salmão Os seus ácidos gordos ómega 3 fazem parte dos fosfolípidos das membranas celulares e são precursores de umas substâncias parecidas com as hormonas (as prostaglandinas E1), que regulam as funções das células, órgãos e sistema imunitário; para além disso, têm um efeito anti-inflamatório. Óleo de borragem Rico em ácidos gordos ómega 6 (integrantes das membranas celulares), hidrata as camadas profundas da pele e evita a descamação devida à exposição solar. Onde está o sol? Subscreva o serviço "Sobre o tempo" no site da marca Coppertone e receba todas as semanas, no seu e-mail, a previsão do tempo para o fim-de-semana. Texto: Fernanda Soares
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