segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

 



Sol, sim... mas sem abusar!

Nem oito nem 80. Os raios solares em excesso são prejudiciais. Mas, com conta, peso e medida, podem melhorar a sua saúde

Sol, sim... mas sem abusar!Sim, o bronzeado favorece. Mas não tente consegui-lo num dia. A pele precisa de tempo e protecção para criar as suas próprias defesas e evitar danos que podem chegar a ser graves. Leve o sol a sério!

Apanhar banhos de sol continua a ser um grande prazer para muitas pessoas e um dos rituais das férias de Verão mais ansiados ao longo do ano. Para além da tão desejada cor que vai dando à pele, produz uma enorme sensação de bem-estar, quase viciante.

No entanto, como explica o derma­tologista Vasco Sousa Coutinho, a exposição ao sol não é inócua: pode ter efeitos benéfi­cos ou prejudiciais para a saúde, dependendo de como for feita.

Assim, se quer proteger a sua pele dos danos causados pelas radiações ultravioleta (UV) e, ao mesmo tempo, apro­veitar os seus benefícios, continue a ler.

Como desfrutar o sol sem correr riscos

Os dermatologistas recebem com frequên­cia pacientes cuja pele está prematura­mente envelhecida pelo sol, por não a terem protegido. É fundamental dar tempo à pele para activar as suas defesas, proporcionar-lhe os nutrientes essenciais para se hidratar e fabricar melanina e evitar que o excesso de sol supere a sua capacidade defensiva.

Para que a sua pele chegue jovem à idade madura, siga os seus conselhos:

Exponha-se de forma progressiva

Assim, a pele poderá ir criando a sua própia protecção através da produção de melanina e do engrossamento da sua camada externa (epiderme). "No primeiro dia, comece por apanhar sol durante períodos curtos que vai aumentando, pouco a pouco (interva­lando com períodos de exposição indirecta, à sombra), sem prolongar a exposição por mais de duas ou três horas", aconselha o dermato­logista Sousa Coutinho.

Tenha em conta que a pele demora cerca de três dias a começar a fabricar a melanina nova, que é a que produz um bronzeado duradouro.

Aplique protector solar

Espalhe-o sobre a pele limpa e seca, meia hora antes de ir para a praia ou piscina e repita sempre que neces­sário. Mesmo os solares resistentes à água só resistem sobre a pele entre duas a quatro horas, consoante transpire mais ou menos ou vá mais ou menos vezes ao banho.

Esco­lha o SPF (factor de protecção) em função do seu fototipo (ver página) e do índice de radiação UV a que se vai expor (se precisar de ajuda, a marca Nivea indica-lhe o SPF reco­mendado de acordo com a região, época do ano e tipo de pele, em www.nivea.pt

Espalhe a quantidade adequada

Se apli­car uma camada de creme demasiado fina, a protecção será mínima, mesmo que o pro­duto tenha um SPF alto. Recomenda-se 2 mg por cada cm2 de pele, ou seja, uma camada visível ao princípio mas que rapidamente é absorvida.

As pessoas carecas ou com pouco cabelo também precisam de protecção no couro cabeludo. É muito importante que usem chapéu e que apliquem um protector com SPF alto.

Evite o sol a pique

Entre as 12 e as 16 horas é quando os raios de sol incidem mais verticalmente e danificam mais a pele. Como a hora solar não coincide com a oficial, a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo aconselha a guiar-se pela projecção da sua sombra no chão: "sombra aumentada, hora apropriada" (isto é, quanto mais curta for a sombra projectada mais perigosa é a radia­ção solar).

E lembre-se que mesmo que o dia esteja nublado, também pode queimar-se, porque as nuvens deixam passar até 80% dos raios UV. O risco chega a ser maior nestas ocasiões, porque a sensação de não estar sol induz ao descuido com a protecção.

Cuidado com os reflexos

O dermatolo­gista Sousa Coutinho lembra que "mesmo que não esteja directamente exposta ao sol, pode estar a receber os raios UV": a relva reflecte 3 a 10 por cento da radiação solar; a água, 20 a 50 por cento; e uma superfície branca, como a neve ou uma parede caiada, quase 85 por cento.

E não se julge protegida debaixo do chapéu de sol (a areia reflecte até 25 por cento da radiação solar) nem atrás de uma janela: o vidro bloqueia uma boa parte dos UVB (os que queimam), mas deixa passar os UVA (os que envelhecem).

Tenha em conta a sua localização

Quanto mais próxima estiver do Equador, mais verticais são os raios solares, circuns­tância essa que se intensifica no Verão e se reduz no Inverno. Por outro lado, na monta­nha precisa proteger-se mais do que na praia porque, em cada 300 metros acima do nível do mar, a dose de raios UV aumenta 4 a 5 por cento, já que a camada de atmosfera que os filtra diminui.

Proteja os olhos com óculos de sol anti-UV

A radiação solar pode causar cata­ratas e fotofobia, e afectar a conjuntiva e a córnea, aumentando o risco de alterações cancerígenas. Nas lojas de óptica encon­tra óculos com filtros solares adequados a cada necessidade: praia, montanha, neve... Cuidado: não se deite de barriga para cima com os óculos postos: actuam como uma lupa e podem queimar-lhe as pálpebras e até os olhos.

Siga uma dieta protectora

Para que surta efeito, comece-a um mês e meio antes de ir de férias e continue a segui--la durante todo o período em que vai estar exposta ao sol. Deve incluir: ver­duras e frutas em abundância, sobre­tudo as de cor vermelha e laranja, como cenoura, alperce, melancia e pimentos; cereais integrais, peixe azul, frango ou peru, azeite, lacticínios magros, e muitos líquidos (água, sumos ou chá verde) para evitar a desidratação.

Assim obterá vita­minas A, E e C, selénio, zinco e coenzima Q10, eficazes antioxidantes que previnem o fotoenvelhecimento; betacarotenos, que contribuem para a produção de melanina; ácidos gordos ómega 3 e 6, que evitam o dano e a desidratação celular e ajudam a reparar as células; e potássio, muito importante no metabolismo celular.

Acalme a pele depois de apanhar sol

Elimine a areia, o sal ou o cloro com um duche ainda na praia ou na piscina. Em casa, tome banho com gel e champô after sun e aplique um leite ou creme reparador pós-solar na cara e corpo; estes produtos têm activos hidratantes, regenerantes e calman­tes (vitaminas A e E, bisabolol ou aloé vera, por exemplo), que paliam o ardor, a verme­lhidão, a secura... mas não as lesões produ­zidas pelos UV.

Se estiver a tomar medicação...

Per­gunte ao seu médico se pode apanhar sol. Há fármacos (antibióticos, sulfamidas, anti-histamínicos, salicilanilidas, psicotrópicos, anticonceptivos, etc.) que são fotosensibi­lizantes e podem produzir reacções na pele exposta ao sol.

Informe-se diariamente acerca da radia­ção ultravioleta existente

Consulte o site do Instituto de Metereologia (clique em Ambiente e depois seleccione o quadro Ultra-violeta). Se o resultado for 0-2, o risco de exposição é baixo ; 3-5, mode­rado; 6-7, alto; 8-10, muito alto; 10 ou mais, extremo.

A cada fototipo o seu SPF

A protecção recomendada a cada fototipo (com uma pele sem outros problemas adicionais), em condições de radiação moderada é:

Fototipo I
Pele muito branca e sensível, cabelo louro ou ruivo e olhos claros. Apanha facilmente escaldões e tem dificuldade em bronzear: SPF 50+.

Fototipo II
Pele e olhos claros e cabelo louro. Queima-se menos e chega a ganhar alguma cor: SPF entre 30 e 50.

Fototipo III
Pele clara a morena, cabelo castanho e olhos claros ou escuros. Fica vermelho, mas depois bronzeia. SPF 25; depois de bronzeado: SPF 15.

Fototipo IV
Pele morena, cabelo e olhos escuros. Bronzeia rapidamente e rara-mente apanha escaldões: SPF 12 e, depois, 8.

Há mais três fototipos: o 0, que corresponde aos albinos; o V, à raça cigana, árabe, indiana...; e o VI, à negra.

Atenção! O SPF que figura nas embalagens refere-se à protecção contra os raios UVB, mas o produto também deve conter protecção UVA.

Como nos beneficia

Os raios solares não são tão maus como os pintam. Desde que não sejam ultrapassados determinados limites, a luz do sol tem grande influência na saúde e bem-estar geral dos seres humanos. Eis o que pode fazer por si, desde que respeite as regras mínimas de segurança:

Fortalece os ossos. É graças à radia­ção solar que a pele sintetiza a vitamina D, imprescindível para que o cálcio se fixe nos ossos. Pela mesma razão, com­bate o raquitismo.

Previne e melhora a depresão. A luz do sol favorece o equilíbrio psíquico. Sem ela, o corpo não produz melatonina, uma substância euforizante e anti-depressiva, que também induz o sono.

Relaxa e dá prazer. Na sua presença, o cérebro segrega endorfinas, hormonas que actuam como a morfina: aliviam a dor e produzem sensação de bem-estar. As endorfinas promovem ainda a vasodi­latação e um melhor aporte de oxigénio aos tecidos.

Melhora a psoríase, o eczema e, em parte, a acne, por diminuir a inflamação; mas a exposição deve ser moderada para evitar o efeito inverso.

Activa as defesas da pele. Perante a exposição solar, a pele reage de duas formas: aumenta a sua espessura, prin­cipalmente devido aos raios ultravioleta B (UVB); e escurece, primero por causa dos raios ultravioleta A (UVA), que pro­duzem um tom moreno precoce e tran­sitório devido à libertação de melanina (o pigmento que dá cor) pré-existente, e depois por causa dos UVB, que obrigam à produção melanina nova.

Atenção: Para obter todos estes benefí­cios sem riscos, basta receber a luz do sol de forma indirecta, à sombra.

Como nos prejudica

Os dermatologistas passam a vida a referi-lo, sobretudo nos meses que antecedem o Verão.

Apesar da pele saudável ter capacidade para se defender do sol e para se autoreparar em caso de dano, convém não abusar.

Se não tiver um mínimo de cuidado, essas funções acabam por se esgotar, ficando exposta a:

  • Queimaduras. Se apanhar sol em excesso, as defesas não serão suficientes e produzir-se-á lesão. Ainda que as célu­las consigam repará-la, essa lesão não é esquecida e será somada às seguintes, esgotando a capacidade de reparação celular da pele (o chamado capital solar).

  • Queimaduras na infância. As lesões que podem ocorrer numa pele imatura são muito maiores e, a longo prazo, terão piores consequências do que as que sofreria um adulto. Um dano produzido na infância pode não causar sintomas durante anos e só mais tarde vir a manifestar-se. Por isso, os menores de três anos não devem expor-se directamente ao sol.

  • Danos no ADN. Quando a pele sofre muitas queimaduras solares, o ADN pode ver-se seriamente danificado, provocando uma mutação em algum gene. As célu­las perdem a possibilidade defensiva e pode desenvolver-se um cancro. O risco aumenta com a idade, quando a capaci­dade de autoprotecção e reparação da pele está quase esgotada.

  • Envelhecimento prematuro. Os radicais livres libertados no organismo devido à exposição solar oxidam as células, cau­sando secura, manchas, flacidez, rugas...

  • Queratoses actínicas. São lesões aver­melhadas e ásperas, que indicam uma degeneração local.

  • Varizes. Não as causa, mas piora o seu estado por ter um efeito vasodilatador.

Proteja a sua pele a partir de dentro

Na hora de proteger a sua pele, todos os cuidado são poucos. Experimente tomar um suplemento ali­mentar solar 15 dias antes, durante, e 15 dias depois das férias. Desta forma, a sua pele proteger-se-á melhor do sol. Quando os for comprar, leia primeiro os rótulos das embalagens. Lembre-se que lhe interes­sam os que contêm:

    Betacaroteno

    Este precursor da vita­mina A acelera a produção de melanina, assegurando à pele o desenvolvimento de um ecrã interno protector que pre­vine o eritema solar. Tem também uma acção antioxidante que reduz o efeito dos radicais livres (moléculas instáveis relacionadas com processos dege­nerativos como o envelhecimento e o cancro, cuja formação pode ser indu­zida pela radiação solar).

    Óleo de salmão

    Os seus ácidos gordos ómega 3 fazem parte dos fos­folípidos das membranas celulares e são precursores de umas substâncias parecidas com as hormonas (as prosta­glandinas E1), que regulam as funções das células, órgãos e sistema imunitá­rio; para além disso, têm um efeito anti-inflamatório.

    Óleo de borragem

    Rico em ácidos gordos ómega 6 (integrantes das mem­branas celulares), hidrata as camadas profundas da pele e evita a descama­ção devida à exposição solar.

Onde está o sol?

Subscreva o serviço "Sobre o tempo" no site da marca Coppertone e receba todas as semanas, no seu e-mail, a previsão do tempo para o fim-de-semana.

Texto: Fernanda Soares
Revisão científica: Dr. Vasco Sousa Coutinho (dermatologista no Hospital Cuf Descobertas, em Lisboa)