sábado, 1 de Novembro de 2014

 



Em Foco - Pe. Marcos Gonçalves

Posição da Igreja é sempre a favor da vida

 

“A posição da Igreja é promover a vida em todas a suas etapas, desde a concepção. A questão de um referendo sobre o Aborto  +  não é de ordem política ou religiosa, mas de ética fundamental e não eclesiástica. O que está em jogo é saber o que se pensa sobre o homem e os direitos do homem, em que a vida é o fundamento da nossa ética”, considera o Pe. Marcos Gonçalves, sacerdote da Diocese do Funchal e especialista em Direito Canónico.

 

Na opinião de Marcos Gonçalves, o problema do aborto não é uma questão religiosa ou política, antes, pertence ao campo das convicções profundas ou da ética fundamental que respeitam o direito à vida em todas as circunstâncias.

Sejam quais forem as mudanças legislativas previstas para a sociedade em matéria de aborto, a “Igreja Católica não altera a sua posição que é a de defender a vida, em todas e quaisquer circunstâncias”, disse ao JORNAL da MADEIRA o Pe. Marcos Gonçlaves.

Solicitado a dar a sua opinião sobre se a Igreja deve ou não participar numa campanha, no âmbito do referendo, este especialista em legislação canónica considera que até “seria bom que não fosse a Igreja como instituição a se exprimir, a se envolver na campanha, mas sim os pais, as mães, a família, os médicos e os homens de ciência, enfim, os movimentos de leigos, porque o tema não é de ordem religiosa, é uma questão da consciência e da ética fundamental.” Neste contexto, a defesa da vida passa então pelos “apoios à família, à maternidade, à mãe solteira, aos grupos de risco, a tudo quanto possa promover a vida, como ainda a educação para a Sexualidade  + . A missão da Igreja é ensinar a amar e a perdoar e, no caso concreto do aborto, não tem que entrar propriamente num debate ou numa campanha”, considera.

Aborto leva

à excomunhão

No capítulo do Direito Canónico, o aborto é considerado um crime e um pecado muito graves. “Quem, voluntariamente e com consciência o cometer, deve ser penalizado”, esclarece ainda o Pe. Marcos.

“Trata-se de uma medida pedagógica, em que se diz claramente que a vida vale a pena ser vivida, desde o primeiro momento”.
Mesmo em situações de “violação da mulher, da mal-formação do feto ou de risco para a mãe”, (cf. Código Penal), a Igreja continua a considerar o aborto como “ um pecado grave”. A pena canónica em todos estes casos, para a “própria mulher, ou os médicos, ou aqueles que a auxiliem a fazer esse acto, ficam imediatamente excomungados. É por isso que a Igreja não resolve esta questão com a despenabilização, com cedências ou tolerâncias falsas”, explica.


Conferência Episcopal Portuguesa e D. José Policarpo prometem

Esclarecer os fiéis de forma clara

O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, considerou que os membros da Igreja e "os que defendem a vida" devem participar na campanha para o referendo sobre o aborto.
Em comunicado divulgado pela Agência Ecclesia antes da votação no Parlamento, o Patriarca de Lisboa manifesta a opinião de que essa campanha "deveria ser, sobretudo, um período de esclarecimento das consciências", mas avisa que, "porque a proposta de leis liberalizantes da prática do aborto se tornou numa causa partidária, a campanha pode cair, na linguagem e nos métodos, numa vulgar campanha política". Não obstante, avança que "todos os membros da Igreja e todos os que defendem a vida são chamados a participar nesse debate esclarecedor das consciências". "Compete aos leigos organizar e dinamizar uma campanha, no concreto da sua metodologia. O papel dos pastores é apoiar e iluminar as consciências com a proclamação da doutrina da Igreja, anunciando o Evangelho da Vida", acrescenta D. José da Cruz Policarpo.
O Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Carlos Azevedo, por seu lado, disse também que a Igreja não deixará de “conduzir os fiéis, com uma palavra muita clara de qual deve ser o sentido do seu trabalho nestes próximos tempos". Em declrações aos jornalistas, no final dos trabalhos da reunião do Conselho Permanete da CEP reunido esta semana em Fátima. D. Carlos Azevedo adiantou ainda que em cada diocese haverá pessoas “a quem o bispo encarregará de fazer esta contribuição” para o devido esclarecimento sobre este assunto.

 

Vera Luza