sábado, 23 de Setembro de 2017

 



Hospital Amadora-Sintra à beira de completar 10 anos

Mais camas para internamento é o próximo objectivo

 

Rui Raposo, presidente da comissão executiva do hospital, considera que "é razoável equacionar a possibilidade de dotar de mais meios e capacidade" a unidade de saúde, advogou, mas ressalva que "este é um desígnio que cabe à equipa ministerial".

 

Prestes a celebrar dez anos de existência, o Hospital Amadora-Sintra, o único público com gestão privada, quer aumentar a capacidade de internamento e alerta para a carência de profissionais que pode resultar da anunciada abertura de novas unidades.
Rui Raposo, presidente da comissão executiva do hospital, adiantou, em entrevista à agência Lusa, que solicitou há três meses ao Ministério da Saúde que "fosse equacionada a possibilidade de alargar a capacidade de internamento do hospital, criando mais uma ala".
Baptizado em homenagem ao médico e pedagogo Fernando da Fonseca (1895-1974), mas comummente conhecido por Amadora-Sintra, o hospital foi criado para servir uma população de cerca de 300 mil pessoas e presta actualmente cuidados de saúde a quase 700 mil.
"Este hospital poderá prestar serviços a esta população de uma maneira ainda mais eficiente, gerando maior qualidade, se tiver a possibilidade de ir ainda mais ao encontro das necessidades das populações", advogou Rui Raposo.
Rui Raposo considera que "é razoável equacionar a possibilidade de dotar de mais meios e capacidade" a unidade de saúde, advogou, mas ressalva que "este é um desígnio que cabe à equipa ministerial".
Inaugurado em Setembro de 1995 pelo então Primeiro-Ministro, Aníbal Cavaco Silva, a gestão do Hospital Amadora-Sintra - uma unidade que integra o Serviço Nacional de Saúde -, foi atribuída por concurso público à Sociedade Gestora constituída por quatro entidades:a actual José de Mello Saúde, a Associação Nacional das Farmácias, a HLC e a Génäral de Santé.
A assinatura do contrato de gestão entre o Estado e a Sociedade Gestora ocorreu a 10 de Outubro de 1995, tendo este entrado em vigor a 01 de Novembro do mesmo ano.
Renovado anualmente após um período de validade de cinco anos, o contrato de gestão foi alvo de alterações o ano passado, depois de um tribunal arbitral ter dirimido um conflito financeiro que opunha o Estado à Sociedade Gestora a favor desta última.
Para Rui Raposo, na direcção do hospital desde Fevereiro de 2005, estes dez anos têm sido "uma experiência muito rica, para a Sociedade Gestora, mas também para o próprio Estado", ainda que defenda que "teria sido muito mais vantajoso que não fosse uma experiência única".

Infecciologia com novo hospital de dia
para 1.500 doentes
O hospital de dia do serviço de infecciologia do Amadora-Sintra ainda cheira a tinta mas as consultas e a sala de tratamento deste novo serviço já estão abertas aos cerca de 1.500 doentes seguidos nesta unidade.
Célia Carvalho, infecciologista, chegou ao Amadora-Sintra em Junho para criar o hospital de dia, um serviço que permite apoiar de forma mais ampla os doentes que não necessitam de internamento mas que têm de realizar tratamentos apenas possíveis a nível hospitalar.

Laboratório do Sono é “menina dos olhos” da Pneumologia
O Hospital Amadora-Sintra inaugurou recentemente um Laboratório do Sono com capacidade para 400 exames anuais às doenças do sono, que são cada vez mais estudadas, pois a sua identificação e cura aumentam a qualidade de vida dos doentes.
Segundo explicou à agência Lusa o director do serviço de Pneumologia do hospital, Fernando Rodrigues, no Laboratório do Sono podem ser realizados vários exames às doenças do sono e observar os doentes durante o seu descanso.
O Hospital Amadora-Sintra pagava, até agora, cerca de 125 mil euros anuais pela realização dos exames fora da instituição e que agora fazem parte do serviço de Pneumologia.
O Laboratório do Sono conta com duas unidades do sono, o que reflecte um incremento da atenção dos especialistas nesta área, conforme referiu Fernando Rodrigues.
"Os profissionais estão hoje muito mais atentos a sinais, como o ressonar, que no passado eram interpretados como normais, mas que revelam problemas de origem clínica", frisou.
A apneia do sono, por exemplo, pode ter causas neurológicas, mas também ser desencadeada por obesidade mórbida: os gordos por fora e por dentro.
A intervenção de um profissional nesta área permite tratamentos no brônquio, entre outros.

 

Agência Lusa