quinta-feira, 17 de Abril de 2014

 



Passar da bebedeira ao coma alcoólico não é muito difícil

Álcool em excesso pode matar ou enlouquecer

 

Os jovens, entre os quais cada vez mais raparigas, bebem para se divertir. Consomem bebidas cada vez mais alcoólicas, de efeito rápido, o que as torna mais perigosas. Passar do estado de normalidade para o da alienação total dura poucos minutos. Dar o passo seguinte — para o coma, o acidente de automóvel ou a loucura — é tão rápido, que é preciso estar muito atento à evolução do estado do alcoólico para poder evitar situações piores.

 

Apesar de todas as campanhas de sensibilização que já foram feitas, os jovens de hoje consomem bebidas alcoólicas sem ter a noção de que podem morrer ou enlouquecer com a bebida. Isto, para não falar
de outros riscos que cor-
rem, como as doenças hepáticas (do fígado) e do coração.
Os próprios acidentes de automóvel são um aspecto a ter em conta, visto que muitos deles conduzem sob o efeito do álcool, pondo em risco a sua vida e a dos outros.
O alerta é dado pelo en-
fermeiro Eduardo Lemos, |do Centro de Recuperação Alcoólica Ricardo Pampuri, da Casa de Saúde de São João de Deus.
Coma
e demência

Outro dos riscos é o coma. Eduardo Lemos explica que o coma alcoólico é uma situação de emergência médica, pelo que a pessoa tem de ser rapidamente assistida. «Ficam afectadas funções vitais do organismo que, se não forem avaliadas a tempo e devidamente observadas e cuidadas, podem matar o indivíduo», especifica.
Quanto à loucura, o enfermeiro adianta que o álcool vai matando as células do cérebro. O processo é irreversível, isto é, células mortas não são recuperáveis. «É muito frequente, nos hospitais psiquiátricos e nos centros de recuperação alcoólica, encontrarmos demências provocadas pela intoxicação crónica do álcool», diz.
Refira-se que, a este propósito, o presidente da Associação Anti-Alcoólica da Madeira, Jaime Vasconcelos, também diz que «o alcoolismo está a um passo da grande loucura; basta um passo para perdermos todas as capacidades». Alucinações, tentativas de suicídio e até homicídio são alguns dos efeitos dos excessos alcoólicos, diz.

Cair
para o lado

Os avisos são tanto mais importantes quanto mais se nota a forma como os jovens de hoje se embebedam.
A “moda” é consumir os “shots”, pequenas bebidas misturadas de elevado teor alcoólico que se bebem de um gole. Os efeitos são quase que imediatos. Poucos copos depois, já se perdeu a normalidade.
Da bebedeira ao coma, o passo não é tão grande quanto isso.
Eduardo Lemos salienta que a bebida alcoólica pode ser atractiva pelo seu efeito desinibidor. Os problemas vêm depois, quando ao primeiro copo se seguem outros tantos.
É por estas razões que considera cada vez mais importante que se esclareçam os adolescentes sobre os riscos que correm quando consomem bebidas alcoólicas.
Jaime Vasconcelos, por seu turno, defende ser melhor «ensinar a beber do que proibir».

A passo
lento

Um dos primeiros aspectos a ter em atenção é o de que todo o alcoólico começou por ser um bebedor moderado. Depois, fica com a ideia de que consegue controlar o que toma.
Só que o álcool é aditivo. Isto é, o corpo vai-se acostumando aos seus efeitos. Com o correr do tempo, para se conseguir o mesmo resultado, é preciso beber mais quantidade. Assim se vai elevando o consumo e se atinge a dependência. Sair dela é que não é fácil.
No Centro Ricardo Pampuri, uma equipa multidisciplinar (psicólogos, médicos, enfermeiros, etc.) ajuda no tratamento, que dura uma média de 28 dias e inclui apoio à reinserção social.


Anete Marques Joaquim