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Apesar de todas as
campanhas de sensibilização que já foram feitas, os jovens de hoje consomem
bebidas alcoólicas sem ter a noção de que podem morrer ou enlouquecer com a
bebida. Isto, para não falar
de outros riscos que cor-
rem, como as doenças hepáticas (do fígado) e do coração.
Os próprios acidentes de automóvel são um aspecto a ter em
conta, visto que muitos deles conduzem sob o efeito do álcool, pondo em risco
a sua vida e a dos outros.
O alerta é dado pelo en-
fermeiro Eduardo Lemos, |do Centro de Recuperação
Alcoólica Ricardo Pampuri, da Casa de Saúde de São João de Deus.
Coma
e demência
Outro dos riscos é o coma. Eduardo Lemos explica que o
coma alcoólico é uma situação de emergência médica, pelo que a pessoa tem de
ser rapidamente assistida. «Ficam afectadas funções vitais do organismo que,
se não forem avaliadas a tempo e devidamente observadas e cuidadas, podem
matar o indivíduo», especifica.
Quanto à loucura, o enfermeiro adianta que o álcool vai
matando as células do cérebro. O processo é irreversível, isto é, células
mortas não são recuperáveis. «É muito frequente, nos hospitais psiquiátricos
e nos centros de recuperação alcoólica, encontrarmos demências provocadas
pela intoxicação crónica do álcool», diz.
Refira-se que, a este propósito, o presidente da
Associação Anti-Alcoólica da Madeira, Jaime Vasconcelos, também diz que «o
alcoolismo está a um passo da grande loucura; basta um passo para perdermos
todas as capacidades». Alucinações, tentativas de suicídio e até homicídio
são alguns dos efeitos dos excessos alcoólicos, diz.
Cair
para o lado
Os avisos são tanto mais importantes quanto mais se nota a
forma como os jovens de hoje se embebedam.
A “moda” é consumir os “shots”, pequenas bebidas
misturadas de elevado teor alcoólico que se bebem de um gole. Os efeitos são
quase que imediatos. Poucos copos depois, já se perdeu
a normalidade.
Da bebedeira ao coma, o passo não é tão grande quanto
isso.
Eduardo Lemos salienta que a bebida alcoólica pode ser
atractiva pelo seu efeito desinibidor. Os problemas vêm depois, quando ao
primeiro copo se seguem outros tantos.
É por estas razões que considera cada vez mais importante
que se esclareçam os adolescentes sobre os riscos que correm quando consomem
bebidas alcoólicas.
Jaime Vasconcelos, por seu turno, defende ser melhor
«ensinar a beber do que proibir».
A passo
lento
Um dos primeiros aspectos a ter em atenção é o de que todo
o alcoólico começou por ser um bebedor moderado. Depois, fica com a ideia de
que consegue controlar o que toma.
Só que o álcool é aditivo. Isto é, o corpo vai-se
acostumando aos seus efeitos. Com o correr do tempo, para se conseguir o
mesmo resultado, é preciso beber mais quantidade. Assim se vai elevando o
consumo e se atinge a dependência. Sair dela é que não é fácil.
No Centro Ricardo Pampuri, uma equipa multidisciplinar
(psicólogos, médicos, enfermeiros, etc.) ajuda no tratamento, que dura uma
média de 28 dias e inclui apoio à reinserção social.
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