segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

 



Mensagem póstuma do Papa fala de amor e de paz

 

 

 

 

O corpo do Papa João Paulo II foi ontem visto em directo em todo o Mundo

 

 

 

A imagem do corpo de João Paulo II foi ontem vista em directo nas televisões, enquanto uma multidão imensa se recolhia em oração na praça São Pedro e em vários outros locais por todo o Mundo.

 

 

Estendido sobre um catafalco dourado, João Paulo II aparece, de rosto sereno, vestido de branco, com uma capa vermelha, as mãos sobre o peito, na cabeça uma mitra branca.

 

 

Da sala Clementina onde lhe prestaram a última homenagem os membros da Cúria, as mais altas autoridades italianas e o corpo diplomático, no segundo andar do palácio apostólico situado na praça de São Pedro, o corpo de João Paulo II será trasladado para a basílica São Pedro vizinha, onde os fiéis poderão vê-lo a partir de hoje à tarde.

 

 

Na praça, mais de 100.000 pessoas assistiram, a meio da manhã, num clima de emoção e recolhimento, à primeira missa após a morte de João Paulo II, presidida pelo cardeal Angelo Sodano, que foi o secretário de Estado do falecido Papa.

 

 

No final da cerimónia, o arcebispo Leonardo Sandri leu uma mensagem póstuma do Papa, preparada para a festa da Divina Misericórdia, celebrada ontem. Nela, Karol Wojtyla afirma que «o amor converte os corações e dá a paz».

 

 

A mensagem, preparada por João Paulo II para a oração de Regina Coeli, dizia ainda que «à humanidade, que às vezes parece perdida e dominada pelo poder do mal, pelo egoísmo e pelo medo, o Senhor ressuscitado oferece como dono o seu amor, que perdoa, reconcilia e reabre o ânimo à esperança. É o amor que converte os corações e dá a paz», escreveu o Papa.

 

 

«A solenidade litúrgica da Anunciação leva-nos a contemplar com os olhos de Maria o imenso mistério deste amor misericordioso que sai do coração de Cristo», lê-se.

 

 

«Ajudados por Ele, podemos compreender o sentido verdadeiro da alegria pascal, que se baseia nesta certeza: aquele que a virgem teve no seu seio, que sofreu e que morreu por nós, ressuscitou de verdade. Aleluia», concluiu o Papa na mensagem.

 

 

João Paulo II será enterrado dentro de quatro a seis dias na basílica São Pedro. Nos próximos 15 a 20 dias, o colégio cardinalício vai reunir-se para designar um sucessor.

 

 

A primeira reunião dos cardeais, em congregação presididos pelo cardeal camerlengo, Eduardo Martinez Somalo, para planear a organização das exéquias fúnebres realiza-se hoje, às 10:30 (9:30 na Madeira), anunciou o porta-voz do Vaticano, Joaquin Navarro-Valls.

 

 

Ainda de acordo com o Vaticano, o Papa morreu a rezar, depois de ter comungado e recebido, mais uma vez, a Unção dos Doentes, rodeado pelos seus colaboradores mais próximos e pelo médico pessoal.

 

 

As condolências e as homenagens surgiram de todo o Mundo.

 

 

Em Portugal, o governo decretou, ainda no sábado, três dias de luto nacional, tal como em Itália, Cuba, Bolívia e Índia. Na Polónia, o luto durará até ao enterro de João Paulo II.

 

 

Em Wadowice, cidade natal de João Paulo II, perto de Cracóvia, e por todo o lado na Polónia, dezenas de milhares de fiéis acorreram às igrejas durante a madrugada para rezar pelo Papa.

 

 

Também em Fátima, onde João Paulo II esteve por três vezes, milhares de peregrinos assistiram à missa em memória do Papa, celebrada pelo bispo de Leiria-Fátima, D. Serafim Ferreira e Silva.

 

 

Um profundo silêncio

 

 

Bandeiras a meia haste nos edifícios públicos e em alguns hotéis, imagens de maior ou menor dimensão de João Paulo II, cartazes manuscritos a anunciar o fecho das lojas, são os sinais mais evidentes do luto em toda a cidade de Roma.

 

 

A cidade que mais próxima está do Papa vive um movimento maior do que o normal, sinais da enchente que se espera para a próxima semana.

 

 

A praça de São Pedro continua a ser o principal destino, mas muitos dos turistas e dos fiéis que estão em Roma espalham-se agora pela cidade, quase todos com exemplares dos principais jornais do país.

 

 

As lojas, mesmo as que nos horários normais de funcionamento explicam estar abertas ao domingo, de um modo geral não abriram ontem as portas.

 

 

A explicação para a decisão de encerramento é dada simbolicamente nas montras de uma loja de vários estilistas italianos onde dois cartazes brancos gigantes mostram a preto a fase "Adeus Santo Padre".

 

 

Luto nacional em vários países

 

 

Vários países decretaram luto nacional pela morte do Papa João Paulo II, entre eles Portugal. O governo decretou sábado três dias de luto.

 

 

Também o governo italiano decretou três dias de luto nacional, além do dia do funeral, ainda por marcar, que será também de luto em Itália.

 

 

Na Polónia, terra Natal do Papa, o presidente, Aleksander Kwasniewski, anunciou que foi decretado luto nacional desde sábado até ao dia das exéquias de João Paulo II.

 

 

D. José Policarpo cancela agenda

 

 

O cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, cancelou a agenda em Portugal até ao final de Abril devido à sua participação no conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice, disse ontem o porta-voz do patriarcado. A agenda foi cancelada até ao fim do mês, uma vez que não se sabe quanto tempo vai demorar o conclave, explicou o padre Jardim Gonçalves.

 

 

«Líder espiritual inesquecível»

 

 

O responsável pela Política Externa da União Europeia, Javier Solana, disse ontem que com a morte de João Paulo II o Mundo «perdeu um líder espiritual inesquecível».

 

 

Em comunicado, Javier Solana indicou que «o Mundo – não só as pessoas de fé católica – perdeu um líder espiritual inesquecível, um inteligente campeão da paz e da solidariedade para todos».

 

 

«Lamentamos profundamente a perda de um grande espírito europeu do nosso tempo», referiu Solana.

 

 

O Mundo está de luto e chora a morte de João Paulo II: Bandeiras a meia haste, e vários dias de luto nacional estão a ser cumpridos em vários países

 

 

Numerosos países em todo o mundo, da Polónia a Cuba, passando pela Índia e Albânia, decretaram luto nacional de um ou vários dias pela morte do papa João Paulo II.

 

 

A Polónia, terra natal de Karol Wojtyla, decretou luto nacional ainda no sábado, que será prolongado até ao funeral, até agora sem data confirmada, enquanto o Brasil respeitará um total de sete dias de luto.

 

 

Ilustrativo da emoção vivida noutros países, onde a maioria da população é católica, é o caso do Paraguai que decretou cinco dias de luto nacional, Itália e Costa Rica com quatro dias, Portugal, Chile, Bolívia, Cabo Verde, São Tomé e Timor-Leste com três dias.

 

 

A Espanha e o Peru farão apenas um dia de luto nacional na segunda-feira.

 

 

Em contrapartida, Cuba, apesar de ter um regime comunista, decidiu respeitar um luto oficial de três dias. O decreto, assinado pelo presidente Fidel Castro, foi lido na abertura do jornal televisivo nacional, algumas horas após o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Felipe Perez Roque, ter transmitido os pêsames do «governo e do povo de Cuba» à comunidade católica.

 

 

Uma nota oficial de Havana, por outro lado, anunciou a suspensão de todas as celebrações festivas previstas na ilha durante este período e a anulação dos jogos do campeonato de basebol cubano.

 

 

O governo de Nova Deli também decretou três dias de luto nacional, no decurso do qual todas as festividades oficiais serão anuladas. Isto, apesar de a comunidade cristã na Índia representar apenas cerca de dois por cento da população.

 

 

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, prestou homenagem a «um Papa do povo» que está no coração dos indianos por ter beatificado em 2003 madre Teresa, fundadora da ordem das Missionárias da Caridade de Calcutá.

 

 

Algo inesperada foi a decisão do governo albanês de decretar um dia de luto nacional e as bandeiras a meia haste no país.

 

 

«Tocou-nos muito a morte do Papa. Estamos de luto porque a Albânia fazia parte das suas orações, das suas preocupações e do seu amor», explicou o presidente albanês. No Líbano, onde 38 por cento dos 3,5 milhões de habitantes são cristãos, o primeiro-ministro designado, Omar Karamé, decretou três dias de luto e também no dia dos funerais do Papa.

 

 

Na Irlanda, onde a maior parte da população é católica, não foi até agora anunciado luto nacional. Noutros países que não declararam luto nacional, como a França e a Alemanha, as bandeiras estarão a meia haste.

 

 

Religiões solidárias

 

 

Representantes de diferentes religiões em Portugal manifestaram-se ontem solidários com os fiéis católicos pela morte do Papa, destacando o empenho de João Paulo II no diálogo inter-religioso. «João Paulo II foi muito cónego, estendeu o braço a todas as religiões e deixou terreno para o próximo Papa», disse à Agência Lusa o líder da comunidade islâmica, Sheik Munir. Para o imã da mesquita de Lisboa, João Paulo II foi um Papa que «respeitava as outras religiões».

 

 

Também a comunidade judaica destacou os esforços de João Paulo II no diálogo inter-religioso e exortou o próximo Papa a «manter e reforçar este diálogo». O rabino Boaz Posh, da Sinagoga de Lisboa, considerou o Papa uma «figura excepcional», que irá «deixar uma marca duradoura» na história da Igreja Católica e no Mundo.

 

 

Bush nas cerimónias fúnebres

 

 

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, vai assistir às cerimónias fúnebres do Papa João Paulo II, anunciou ontem a cadeia de televisão norte-americana, NBC. Será a primeira vez que um presidente norte-americano assiste ao funeral de um Sumo Pontífice da Igreja Católica.

 

 

A Casa Branca indicou que espera informação do Vaticano sobre as modalidades das exéquias, antes de fazer o anúncio oficial.

 

 

Sampaio marca também presença

 

 

Muitas personalidades políticas e religiosas anunciaram já a sua intenção de participar nas exéquias, como é o caso do Presidente de Portugal, Jorge Sampaio. Idêntico anúncio foi feito pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

 

 

Único parente quer ir a Roma

 

 

Bronislaw Wojtyla, o familiar mais próximo de João Paulo II, recebeu sábado com muita tristeza a notícia da morte do Papa e quer ir a Roma para as cerimónias fúnebres.

 

 

Bronislaw tem 81 anos de idade e é o único familiar vivo do Papa, apesar do parentesco ser remoto. O pai era primo do pai do Papa, que também se chamava Karol Wojtyla.

 

 

Homenagem em Lisboa

 

 

Centenas de pessoas, incluindo o Presidente da República, figuras religiosas e cidadãos anónimos, encheram ontem a Sé Patriarcal de Lisboa para prestar homenagem ao Papa.