sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

 



PORTUGAL

Em apenas três meses foram registados 884 novos casos de VIH em Portugal, segundo resultados publicados no boletim do Centro de Vigilância Epidemológica das Doenças Transmissíveis (CVEDF) do Instituto Nacional de Saúde.

Entre 1 de Janeiro e 31 de Março, o Centro recebeu o maior número de casos desde que a epidemia entrou no país. Dos 884 casos, 55 por cento não apresentam sintomas da doença, 35,7 por cento são de sida em estado visível, 9,3 por cento estão numa fase intermediária. As idades destes seropositivos vão dos 25 aos 39 anos, e 83,8 por cento são homens.

O total de casos oficiais de VIH em Portugal são 13 287, mas os cálculos apontam para 30 mil. Destes casos identificados, 51,7 por cento são de sida, 9,3 por cento são intermediários e 39 por cento são seropositivos. De acordo com estes resultados a fase intermediária é muito reduzida, o que poderá indicar ou um rápido desenvolvimento do vírus ou uma tardia descoberta do mesmo.

Os toxicodependência continua a liderar as causas de transmissão com 33 por cento do total dos casos, seguida pela heterosexualidade (26,6 por cento) e homo/bisexualidade (28 por cento), o que contraria a ideia de que "a sida é a doença das prostitutas e dos homosexuais".

 

 

GRÁFICO DE VALORES PORTUGUESES

 

 

UDVP - Consumidores de estupefacientes, de forma intravenosa.

 

SIDA E ÁFRICA

No dia 30 de Abril deste ano, os EUA lançaram um plano para o combate à SIDA no continente africano, onde as taxas de transmissão e mortalidade provocadas por este vírus são consideradas "alarmantes".

Segundo dados das Nações Unidas, aproximadamente 33.4 milhões de pessoas no mundo tornaram-se seropositivas no ano passado, e mais de 22 milhões dos casos foram registados na região subsariana. Em alguns países da África Austral, ¼ da população adulta está infectada.

Na África do Sul, o ministro da Saúde, Manro Tshabalala-Msimang, calcula que seis milhões de sul-africanos serão infectados com o vírus VIH até ao ano 2005. O país foi uma das últimas nações a ter contacto com a epidemia, mas esta desenvolveu-se a um ritmo muito acelerado. Segundo o mesmo ministro, cerca de 1600 pessoas são infectadas diariamente com o vírus. No entanto, o presidente da nação, Thabo Mbeki, não usou a totalidade do 17 milhões de dólares previstos para o combate ao VIH, e recusou administrar AZT, o medicamento que reduz a taxa de transmissão vertical (mãe para filho) às mulheres grávidas.

Assim, os EUA, numa iniciativa conjunta com o Banco Mundial, pretendem lançar o que já foi chamado de "Plano Marshall anti-Sida". "Faremos tudo para que nenhum programa seja interrompido por falta de dinheiro" afirmou James Wolfenson, presidente do Banco Mundial. A campanha irá mobilizar muita mão-de-obra e investimentos que ascendem os 254 milhões de dólares. Segundo o jornal americano New York Times, ambos os partidos Republicano e Democrata "concordam que o Congresso autorize o desbloqueamento de créditos suplementares, num montante de dois mil milhões de dólares para os próximos cinco anos".

Nos chamados países desenvolvidos, os tratamentos para combater o vírus custam 3300 contos anuais, cifras que são muito altas para ser suportadas por habitantes dos países de continentes com PIB e rendimentos inferiores. Veja-se o exemplo do caso português, onde o rendimento mínimo mensal é de cerca de 60 mil escudos, ou seja 720 contos por ano.

A necessidade de tratamentos adquire um carácter de urgência, face ao aumento da propagação da Sida: em 1990 o número de infectados em todo o mundo era de 10 milhões. No final deste ano, será de 40 milhões.

http://www.fcsh.unl.pt