sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

 
Envelhecimento  

Um olhar sobre o envelhecimento


Graça Messias, Psicóloga Clínica




Em anos que já pertencem ao passado, o envelhecimento foi contemplado como uma fase que naufragava para a morte, sem tempo para apreender momentos de felicidade e de descobertas. Por outras palavras, o processo de envelhecimento era compreendido como uma questão cronológica e estereotipada por modificações físicas inevitáveis, socialmente marcado por preconceitos que o condenava como uma pessoa onerosa, portadora de doenças crónicas e fatais.

Graça Messias
Licenciada pela Faculdade Salesiana de Lorena/Brasil e Mestre em Psicologia Clínica do Desenvolvimento pela Universidade de Coimbra.

Porém, ao longo da história, estas ideias foram-se degradando. Sócrates, um grande pensador da Grécia Antiga, sustentava que a velhice não constituía peso algum para os seres humanos prudentes e bem preparados, enquanto Séneca, sábio célebre da Roma Antiga, anunciava, sem hesitação, que não havia pessoas tão velhas em que não confiasse que depois de um dia raiasse outro. Nesta perspectiva, o envelhecimento ligaria a uma responsabilidade individual e ao desejo de viver.

É verdadeiro que, definido pelo tempo que avança, o envelhecer é uma preocupação constante do homem. Sem dúvida, que todas as espécies sofrem mudanças desde o nascimento até a morte e não é uma inovação compreender que o envelhecimento faz parte do desenvolvimento do ser humano. Daí a preocupação; não somente mediante as transformações nos desempenhos cognitivos, sociais e afetivos, mas juntamente pelas alterações motivacionais, pelas características individuais e pelas bagagens culturais e educacionais, com trocas entre o ser e o meio ambiente.

Nesta perspectiva, revela-se pertinente considerar que o processo de envelhecimento deve ser compreendido sob um enfoque multidimensional; isto é, incorporar diferentes intervenientes (profissionais de saúde, família, amigos, etc, para além dele próprio), apostando numa melhor qualidade de atenção à saúde, de maneira a garantir maior autonomia e preservar o saber (do) envelhecer.

LONGEVIDADE MAIS SAUDÁVEL

Sabe-se que a saúde provém do equilíbrio entre o biológico, o psicológico e o social. Uma falha em algum desses territórios, permite o aparecimento do desequilíbrio. Por isso, é importante que nós consigamos apoderar de uma boa qualidade existencial. Não se trata aqui de encontrar o elixir da longevidade, mas da busca da integridade através de investimentos no aperfeiçoamento da saúde.

Trata-se de (re)descobrir que o envelhecimento pode ser bem sucedido quando aliado aos recursos positivos, em hábitos saudáveis auxiliados por um estilo de vida ativo, por uma alimentação balanceada, pelo expressar de suas emoções, pela criação de objetivos, pelo favorecimento de uma relação afetiva saudável com o ambiente circundante. Através desta renovação e inovação particular, cumpre sepultar a torpeza do corpo e as narrativas de outrora contidas de tristeza e solidão; sempre é momento de (re)nascer para o que de melhor existe.



Referências

  1. Beauvoir, S. A Velhice. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990
  2. Fontaine, Roger. Psicologia do Envelhecimento. Climepsi Editores, 1ª edição, 2000
  3. Falcão, Deusivania. Maturidade e Velhice. Pesquisa e Intervenções Psicológicas, Editora Casa do Psicólogo, 1ª edição, 2006