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Falta de condições em Portugal empurra médicos para o estrangeiro

França recruta médicos em Portugal

Sophie Leroy, directora da associação de recrutamento ARIME (Association pour la Recherche et l'Installation de Médecins Européens), explicou à Lusa que a empresa anda à procura de todo o tipo de profissionais das áreas médica e paramédica, nomeadamente de nefrologia, cardiologia, pediatria, anestesiologia, psiquiatria e radiologia.

"A principal vantagem é a questão salarial, porque um jovem diplomado em Portugal pode ganhar cerca de dois mil euros brutos e, em Franca, pode ganhar o dobro, entre 3.800 a 3.900 euros mensais", sublinhou Sophie Leroy.

Para estar entre os seleccionados, os candidatos têm de passar nos exames de língua francesa, que estão a realizar-se na Alliance Française em Lisboa.

Até ao momento, "já mostraram disponibilidade e interesse em saber as condições cerca de 700 pessoas", acrescentou à Lusa uma responsável pela comunicação do evento, que termina na quinta-feira.

Bastonário lamenta fuga de médicos

Cerca de 700 médicos e enfermeiros portugueses querem trabalhar em França. É pelo menos esse o número de profissionais que contactaram uma associação francesa que está em Portugal a recrutar especialistas para trabalharem em instituições públicas e privadas daquele país.

Ouvido, esta noite, pela TSF o bastonário da Ordem dos Médicos não se mostra surpreendido, ainda assim, José Manuel Silva lamenta a "fuga" de profissionais para outros países, acrescentando que pode tornar-se dramática.

«É lamentável que estejamos a assistir a este fluxo emigratório quando os cidadãos portugueses vêem aumentar as listas de espera para cirurgia, para exames complementares de diagnóstico, para consulta. Quando se coloca uma série de dificuldades e constrangimentos ao sistema que os profissionais de saúde, como muitos outros jovens portugueses, se vejam obrigados a procurar no estrangeiro aquilo que não têm em Portugal», ou seja, «perspectivas de trabalho».

Sobre a questão das listas de espera, José Manuel Silva diz que não há falta de médicos para fazer cirurgias, o que há é um desinvestimento do Estado na Saúde.

Médicos com dificuldades financeiras

Em entrevista à Lusa, Carlos Arroz lamentou este aumento de pedidos de ajuda de clínicos que, ao atingirem a idade da reforma, se deparam com dificuldades financeiras e precisam mesmo de apoio.

Em parte, disse, a situação deve-se ao facto de as horas extraordinárias não contarem para a reforma, o que faz com que, em muitos casos, um médico receba cerca de mil euros mensais após a sua aposentação.

Segundo Carlos Arroz, alguns médicos que sobrevivem graças à ajuda dos colegas - nomeadamente o apoio concedido através do Fundo de Solidariedade da Ordem dos Médicos - são figuras ilustres da medicina portuguesa, que se destacaram pelo trabalho e funções que desempenharam.

"São médicos que trabalharam mais de 40 anos no Serviço Nacional de Saúde, ao qual dedicaram a sua vida, tendo formado centenas de outros profissionais", afirmou.

O Fundo de Solidariedade da Ordem dos Médico foi constituído a 24 de Abril de 2001 para proporcionar reformas de sobrevivência, garantir o pagamento de lares e ajudar na doença os médicos que não tenham outras formas de subsistência.

O sindicalista está igualmente preocupado com algumas das medidas que resultam do acordo entre o Governo e os parceiros sociais e que atingirão muitos profissionais, já que é significativa a quantidade de clínicos com Contrato Individual de Trabalho.

"É mais uma acha para a fogueira", disse, referindo-se a algumas das alterações previstas, nomeadamente ao nível das férias, feriados ou pontes.

Para já, as preocupações do SIM vão para a diminuição do valor das horas extraordinárias e a questão do descanso compensatório, que obriga os médicos a gozarem esta compensação sem prejuízo do horário semanal de trabalho.

Carlos Arroz classifica de "imparável" o movimento de médicos que têm apresentado um atestado a dizer que apenas farão as 100 horas extraordinárias anuais a que estão obrigados por lei.

"No fundo, o que os médicos estão a dizer é que não farão mais do que 52 horas semanais: as 40 horas mais as 12 extra", explicou.

O resultado deste movimento deverá ser, na previsão de Carlos Arroz, a inexistência de médicos que assegurem as urgências e, para resolver a situação, a transferência de clínicos para esse serviço.

"Os médicos vão ser transferidos para as urgências e o trabalho programado fica adiado. Caberá ao utente, mais uma vez, pagar com mais tempo de espera", adiantou.

As preocupações de Carlos Arroz surgem na véspera de uma reunião no Ministério da Saúde que retomará as negociações com vista à elaboração de uma grelha salarial para as 40 horas de trabalho semanais.


Fonte:www.jn.pt, 20120118




  
Recursos relacionados
  1. ARIME - The Association for the Finding and Settlement of European Doctors, Association pour la Recherche et l'Installation de Médecins Européens
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