quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

 


Médicos estrangeiros no Brasil






A polémica causada pelo programa do Governo brasileiro destinado a trazer médicos estrangeiros e brasileiros formados no exterior para trabalhar nas áreas mais carentes do país trouxe pelo menos uma grande vantagem para as populações que só podem recorrer ao sistema público de saúde do Brasil: lançou holofotes e atraiu a atenção, inclusivamente internacional, para a situação vergonhosa desse importante sector da vida dos brasileiros.

Apesar da sucessiva retórica populista dos governos desde a redemocratização do Brasil, a verdade é que a saúde e a educação não têm sido prioridades no país. E não é preciso sequer sair da capital brasileira, Brasília, para constatar o descaso com esses sectores. Com a decisão da Presidente Dilma Rousseff de contratar fora do Brasil médicos para atender as populações carentes, foram abertas mais de 15 mil vagas para os médicos brasileiros nessas áreas. Apenas 10,45% foram ocupadas por profissionais residentes no país, alguns dos quais preferem o conforto das grandes cidades. A seguir, os media tradicionais passaram a divulgar, com maior ênfase, o que se passa com a saúde dos brasileiros.

Perto do Palácio do Planalto há um hospital inacabado, onde milhões foram gastos, guardado por um único vigilante e um cão. Surgiram reportagens rotineiras sobre cidades onde não há sequer um médico e os doentes se amontoam nos corredores dos centros de saúde à espera de ajuda, mesmo por parte de um enfermeiro. A TV exibe cenas chocantes de médicos de um hospital público no interior do Rio de Janeiro a estacionar novíssimos automóveis de luxo, para baterem o ponto à pressa e seguirem para seus empregos privados.

Enquanto chegam para nos ajudar médicos vindos de diversos países, inclusive de Portugal, a Folha de São Paulo publicou grotesca foto de duas jovens médicas brasileiras a vaiar colegas cubanos quando saíam do curso de reciclagem na cidade de Fortaleza. O presidente do Conselho de Medicina de Minas Gerais declarou que orientaria os médicos mineiros a não atender eventuais erros médicos cometidos pelos cubanos. A maioria dos brasileiros é a favor da vinda dos médicos do estrangeiro, cansados de deambular pelos centro de saúde mal equipados e morrer sem assistência. Acreditam nos médicos, pouco importa o idioma que falem.