
Atraso na radioterapia aumenta risco de retorno do cancro da mama
Quanto mais tempo a mulher espera para realizar a radioterapia, após a cirurgia ao cancro da mama, maior é o risco de o tumor voltar, afirmam cientistas esta quarta-feira, avança a agência Reuters.
Investigadores dos EUA, Canadá e Japão, analisaram a relação entre os tempos de espera para radioterapia após cirurgia e a recorrência do cancro da mama. Os resultados sugerem que a melhor opção é começar a radioterapia o mais rapidamente possível.
A equipa analisou registos nacionais de mais de 18.000 mulheres norte-americanas que foram diagnosticadas com cancro da mama em fase inicial, entre 1991 e 2002, com 65 anos ou mais. Todas as mulheres realizaram cirurgia e radioterapia, mas não quimioterapia.
Os resultados mostram que iniciar a radioterapia, mais de seis semanas após a cirurgia, levava a um "aumento modesto, mas significativo" da recorrência do tumor. Cerca de 30% das mulheres no estudo iniciaram a radioterapia após seis semanas e os tumores voltaram em 734 delas (4%), em cinco anos.
"O custo para aumentar a capacidade de garantir tempos de espera mais uniformes pode ser substancial", explicou Rinaa Punglia, do Dana-Farber Cancer Institute, em Boston, no estudo publicado no British Medical Journal.
Os investigadores afirmam que quatro a seis semanas é geralmente aceite como um intervalo razoável entre a cirurgia oncológica e a radioterapia, mas as evidências sobre o efeito do tempo de espera em pacientes com cancro da mama têm sido pouco claras até agora.
Ruth Jack e Lars Holmberg, do King's College, em Londres, dizem que os prestadores de cuidados de saúde devem investir e planear com mais antecedência para reduzir os atrasos entre a cirurgia e a radioterapia, mas é necessário atenção aos custos.
O cancro da mama é o cancro mais comum em mulheres em todo o mundo, representando cerca de 16% de todos os cancros femininos. A doença é responsável pela morte de cerca de 519.000 pessoas no mundo a cada ano.