
Ana Jorge «disponível» para explicar novas comparticipações no Parlamento
«Sempre estive disponível para ir ao Parlamento falar e explicar e também estarei desta vez», disse hoje aos jornalistas Ana Jorge, ao ser confrontada com os pedidos de esclarecimento do PCP e as críticas do Bloco de Esquerda.
Ana Jorge falava à saída do 3.º Fórum Nacional de Saúde, que terminou com a entrega de prémios aos melhores trabalhos realizados por alunos de várias escolas do país sobre atitudes e comportamentos saudáveis.
A propósito das novas comparticipações dos medicamentos, a ministra disse acreditar que os médicos sejam capazes de «colaborar com aquilo que é o interesse do doente», ou seja, ter um medicamento de qualidade a um preço mais barato e acessível.
O Governo aprovou recentemente a revisão do sistema de comparticipações do Estado nos medicamentos, mantendo 100 por cento para pensionistas do regime especial que optem por medicamentos com preço entre os cinco mais baixos do grupo.
Para Ana Jorge, esta medida «permite manter o acesso gratuito das pessoas mais carenciadas aos medicamentos», fazendo com que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) gaste menos 30 milhões de euros.
Ana Jorge frisou que «o Estado não pode, nem deve, pagar 30 ou 40 por cento por um medicamento, quando existe outro no mercado com o mesmo efeito, a mesma qualidade e maior benefício para o cidadão, uma vez que é mais barato».
Entretanto, o BE considerou que o Governo «escondeu» uma parte da legislação aprovada quinta-feira sobre comparticipação de medicamentos, acusando-o de «favorecer ilegitimamente» as farmácias e as distribuidoras com «um bónus de 80 milhões de euros».
«O Governo pretendeu iludir os portugueses, na realidade, do nosso ponto de vista, nós não reconhecemos naquelas medidas a capacidade de promover a venda de genéricos e de baixar o preço dos medicamentos, é o contrário», afirmou o deputado João Semedo.
Afirmando que «os portugueses vão pagar mais» pelos genéricos, o dirigente bloquista argumentou que com as medidas anunciadas, «desaparece a majoração de 20 por cento para o regime especial e diminui o valor de referência».
Segundo o bloquista, «o Governo decidiu oferecer um bónus de 50 milhões de euros às farmácias, porque aumentou para 20 por cento a margem do preço de venda ao público de medicamentos nas farmácias» e «um segundo bónus, de 30 milhões, para os armazenistas, para os distribuidores, que é um mercado em que a própria Associação Nacional de Farmácias (ANF) tem uma influência poderosa, através da Unichem».
Neste sentido, João Semedo recordou as palavras do presidente da ANF, João Cordeiro, que em Abril de 2008 afirmou ao semanário Expresso que «José Sócrates soube ?mostrar carinho? pelas farmácias».
«De facto estas medidas só demonstram, mais do que carinho, é uma profunda amizade que o Governo tem pelas farmácias e sobretudo pela ANF», referiu o bloquista.
Lusa / SOL