
Estudo publicado na revista Cell: vida activa pode afastar o cancro
Os investigadores descobriram que um ambiente estimulante activa uma via do sistema nervoso que o cérebro usa para comunicar com o tecido adiposo.
As células da gordura são "ordenadas" a deixar de libertar a hormona leptina na corrente sanguínea. A leptina normalmente limita o apetite, mas o estudo constatou que também acelera o crescimento do cancro.
Os cientistas criaram um ambiente para 20 ratinhos em recipientes equipados com brinquedos, esconderijos, rodas para correr, água e alimentos ilimitados. Os animais do grupo de controlo foram alojados em recipientes de laboratório padrão mais pequenos, sem brinquedos, mas com comida e água ilimitada.
"As pessoas tendem a pensar que os sobreviventes de cancro devem evitar o stress, mas os nossos dados sugerem que isso não é totalmente verdade", disse o autor do estudo, Matthew During, professor de neurociência, neurocirurgia, virologia molecular, imunologia e genética médica.
"O efeito anti-cancro observado no presente estudo não se deveu simplesmente ao aumento da actividade dos animais, mas sim aos desafios sociais e físicos que causam um leve stress", explicou o professor.
O especialista disse que a mudança hormonal mais dramática foi a queda na leptina da gordura após a melhoria das condições de habitação activarem a via do sistema nervoso.
"Esta via também está presente nos seres humanos, e é provável que seja activada por uma vida mais complexa e desafiadora", acrescentou.