
Algarve: Falta de médicos e de enfermeiros põe em risco urgências
Veraneantes fazem aumentar pressão nos serviços, e faltam profissionais, alertam ordem e sindicato. ARS nega problemas.
A falta de clínicos e de enfermeiros nas urgências dos hospitais do Algarve pode deixar em risco o atendimento dos doentes, alertam a Ordem dos Médicos e o Sindicato dos Enfermeiros. A Administração Regional de Saúde (ARS) não reforçou o número de profissionais e garante que as equipas existentes são suficientes para responder aos milhares de turistas nas praias.
Numa altura em que a população do Algarve quadriplica com os veraneantes, chegando a ultrapassar em Agosto os 2,5 milhões, não haverá reforço de meios o que põe em causa a qualidade do atendimento, denuncia a Ordem dos Médicos (OM). "Há muita gente no Algarve, e nas urgências o aumento é consideravelmente superior ao habitual. Mas nota- -se uma diminuição de profissionais de serviço. Há uma sobrecarga de trabalho, e isso, obviamente, vai repercutir-se na prestação de cuidados de saúde à população", disse, ao DN, o presidente do Conselho Distrital de Faro da OM, Martins dos Santos. Vai ser "um ano mau".
A preocupação é também denunciada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP). A dirigente Guadalupe Simões admite mesmo a "possibilidade de ocorrerem erros" na assistência aos doentes, que podem ser "vítimas de acidentes profissionais devido ao excesso de trabalho a que os enfermeiros estão sujeitos".
"Faltam, neste momento, mil enfermeiros nos hospitais e nos centros de saúde do Algarve (ver texto ao lado)". No Hospital de Faro, por exemplo, "os enfermeiros chegam a trabalhar a duzentos por cento, em serviços como a Medicina, a Cirurgia e a Ortopedia. Um profissional faz o lugar de dois", lamenta Guadalupe Simões.
Cirurgia, Medicina Interna, Pediatra, Ortopedia e Ginecologia são as especialidades apontadas pelos médicos como mais carenciadas. Mas há outras. É o caso da Neurocirurgia - fundamental para tratar acidentes vasculares cerebrais - Oftalmologia, Otorrino, Anestesia, Radiologia e Urologia.
"Basta lembrar que em algumas dessas especialidades, o Algarve sempre foi carenciado, quanto mais no Verão, quando aumenta a população e se reduz o número de profissionais", diz Martins dos Santos, lembrando que as reformas antecipadas de muitos clínicos e outras aposentações por limite de idade não foram colmatadas.
Apesar do apelo feito pela tutela para que os clínicos adiassem as sua férias, muitos não abdicaram do descanso, garante. "O Ministério da Saúde não pode aconselhar ou deixar de aconselhar os médicos a tirar férias. Eles têm direito a elas como qualquer cidadão", diz o responsável da OM.
Sem números sobre a falta de clínicos, Martins dos Santos garante que o problema está na ausência de um plano de reforço de profissionais no Verão, através da contratação de elementos de outras regiões do País. "Foi uma medida totalmente irresponsável ter deixado de fazer este reforço".
O presidente da ARS Algarve, Rui Lourenço, garante que não haverá problemas. "A dimensão das equipas de urgência, quer dos hospitais quer dos serviços básicos dos centros de saúde, está garantida", assegura. O responsável justifica assim o não recrutamento de mais profissionais.