
Especialistas alertam para diferenças entre medicamentos e suplementos
A evidência científica confirma os ácidos gordos ómega 3 (EPA/DHA) de elevada potência como potenciais agentes antiaterogénicos e cardio-protectores. Capazes de reduzir a tensão arterial e os triglicéridos, os ácidos gordos ómega 3 aumentam os níveis de colesterol HDL e possuem uma acção anti-inflamatória, anti-trombótica e anti-arrítmica, avança comunicado de imprensa.
Luz Rodrigues, Professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, esclarece que são alcançados diferentes benefícios mediante a concentração e dose administrada. ?Os ácidos gordos ómega 3 reduzem os triglicéridos em doses diárias a partir de 2g. Mas são capazes de reduzir a morte súbita em doses muito mais baixas; com 250mg os estudos mostram que é eficaz. Para a prevenção secundária basta 1g por dia?, explica Luz Rodrigues.
Uma orientação corroborada pela American Heart Association que indica que nos doentes com hipertrigliceridemia tem que se atingir doses de 2g a 4g de óleo de peixe em cápsulas, sob vigilância médica.
A estabilização da dose terapêutica recomendada só é possível na forma de tratamento farmacológico e nunca com suplementos alimentares, reconhece Pedro Marques da Silva, internista do Hospital de Santa Marta. ?É fundamental dar informação aos doentes em prevenção secundária de que a par da melhoria da dieta, deve considerar-se a administração de, pelo menos, 1g por dia de ésteres etílicos de ómega 3 de elevada potência?.
A medição dos níveis de EPA e DHA na membrana dos eritrocitos, expressos como percentagem dos ácidos gordos totais, é hoje considerada a melhor forma de saber se os níveis cardio-protectores, relativamente à morte súbita, foram atingidos (índex ómega-3).
O amplo reconhecimento dos benefícios alcançados pelos ácidos gordos ómega 3 motivou a existência de suplementos alimentares, tomados muitas vezes como se de um medicamento se tratasse. Uma situação preocupante, conta Pedro Marques da Silva, pois não há comprovação em termos de evidência científica e as análises aos suplementos revelam que nem sempre apresentam aquilo que vem descrito nos seus rótulos.
Não obstante, em Portugal, os suplementos alimentares estão sob a alçada do Ministério da Agricultura e a sua fiscalização é realizada pela ASAE ? Autoridade de Segurança Alimentar e Económica.
Luz Rodrigues refere, porém, que o problema incide na ausência de fiscalização de uma forma sistemática, ao contrário do que está previsto com os medicamentos. ?O controlo dos medicamentos é feito com um nível de rigor e exigência muito superior à fiscalização de qualquer suplemento alimentar, feita essencialmente pela firma que o produz.?
O Professor da Faculdade de Medicina acautela ainda para o facto de "quando se diz que os alimentos estão enriquecidos com ómega 3 não sabemos quais são. Se for com ácido linolénico, por exemplo, não somos capazes de formar os outros EPA/DHA, logo não têm vantagem nenhuma."