
Especialistas europeus discutem segundo cancro de sangue mais ...
Pela primeira vez em Portugal, centenas de especialistas médicos reúnem-se em Lisboa para discutir o diagnóstico e tratamento do mieloma múltiplo, um tipo de cancro de sangue que em cada ano afecta cerca de 400 novos doentes portugueses.
Em declarações à Agência Lusa, a propósito do primeiro encontro europeu sobre a doença, que decorre sábado, em Lisboa, o presidente da assembleia geral da Associação Portuguesa Contra a Leucemia revelou que não há dados quantificativos sobre o número de doentes em Portugal, mas adiantou que todos os anos surgem centenas de novos casos, tornando este o segundo cancro de sangue mais frequente no país.
O mieloma múltiplo é um cancro hematológico de causa desconhecida e sem cura que se caracteriza pela produção anormal de células malignas da medula óssea denominadas de plasmócitos. Enquanto nas pessoas saudáveis os plasmócitos constituem menos de 5 por cento da medula, com esta doença os plasmócitos aumentam em número e infiltram a medula óssea, estimulando células que corroem os ossos, explica o comunicado do encontro.
"Importa saber quantos casos novos temos e devem oscilar entre os 380 e os 400 casos novos por ano, o que quer dizer que provavelmente devemos ter em Portugal, em cada ano que passa, entre 1200 e 1500 pessoas infectadas com mieloma, embora esteja aqui a falar de diferentes estádios da doença e não quer dizer que estejam exactamente todos em tratamento", explicou o especialista Leal da Costa.
De acordo com este médico do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, estes números demonstram outros mais alarmantes, ou seja, que correspondem a "mais ou menos" 10 a 15 por cento do total dos cancros de sangue e a um por cento do universo de todos os cancros, consequentemente causando 20 por cento das mortes por cancro em Portugal.
"É uma doença que nós não podemos medir a mortalidade bruta porque o que nos interessa é medir a probabilidade de sobrevivência mediana e a mediana de sobrevivência de uma pessoa a quem é diagnosticado o mieloma múltiplo, grosso modo, deve estar nos cinco, seis anos", revelou, ressalvando estar a englobar todo o tipo de doentes, desde os muito graves aos menos grave, e que "há doentes que sobrevivem dez anos com a doença".
No que diz respeito à prevalência deste cancro, e do ponto de vista epidemiológico, Leal da Costa adiantou que se sabe que o mieloma múltiplo tem "uma incidência discretamente maior nos homens do que nas mulheres", com 4 casos por cem mil nos homens contra 2,5 a 3 por cem mil nas mulheres.
"Tem sim uma muito maior ocorrência em doentes mais velhos. Quanto mais velho se é, maior é a probabilidade de ter uma doença destas e, dito de outra forma, é raro ter um mieloma abaixo dos 50 anos, é raríssimo ter abaixo dos 40 e mais de 90 por cento dos doentes tem mais de 40 anos", disse o médico.
Cerca de 800 médicos hematologistas, oriundos de toda a Europa, vão sábado discutir os últimos avanços ao nível do diagnóstico e tratamento desta doença e, como adiantou Leal da Costa, "analisar as estratégias locais para tentar encontrar uma cada vez menor variabilidade de abordagem e contribuir para a melhoria da sobrevivência".