
Falta «vontade política» para que infectados pelo HIV tenham tratamento
Julio Montaner, que preside a conferência e é também o presidente da Sociedade Internacional da SIDA, disse que o G8 - grupo dos países mais ricos do mundo - falhou ao não expressar um compromisso garantindo o acesso ao tratamento e antevê que isso venha a ter sérias consequências.
«Este é um défice muito sério», afirmou Montaner, adiantando que resta «alegrarmo-nos com o facto de, pelo menos, hoje existirem tratamentos que funcionam». «O que precisamos agora é de vontade política para percorrer o caminho que falta para tornar possível o acesso (aos tratamentos) de todas as pessoas infectadas», afirmou Julio Montaner, em declarações aos jornalistas. Esta posição deverá dominar a XVIII Conferência sobre a SIDA, que começou este domingo em Viena, na Áustria.
Um estudo da delegação norte-americana da Sociedade Internacional da SIDA (IAS), que vai ser apresentado no encontro, alerta para a necessidade de começar precocemente o tratamento contra a infecção do HIV, ainda antes do aparecimento dos sintomas, para impedir a destruição progressiva do sistema imunitário. Em finais de 2008 existiam 33,4 milhões de seropositivos em todo o mundo. A SIDA e as doenças que lhe estão associadas provocam dois milhões de mortes por ano. Entre hoje e 23 de Julho reúnem-se em Viena 25 mil participantes, entre cientistas, activistas e especialistas em medicina para debater o tratamento e a prevenção da doença que afecta milhares de pessoas em todo o mundo e mais em países da África e na Ásia Central, com escassos meios económicos e médicos.