
Pensionistas podem ter de passar a pagar medicamentos pagos pelo Estado
O Governo contabiliza uma poupança que ronda os 80 milhões de euros com as novas regras de comparticipação de medicamentos, aprovadas esta quinta-feira em Conselho de Ministros.
Com este novo plano, os reformados mais pobres continuam a ter direito a fármacos a custo zero, contudo, a comparticipação do Estado aplica-se apenas aos medicamentos mais baratos, independentemente de serem genéricos ou de marca.
À TSF, Paulo Lilaia, presidente da Associação Portuguesa de Medicamentos, alertou para as consequências negativas que este plano pode trazer para os utentes, nomeadamente o facto de poderem vir a pagar fármacos que antes eram pagos pelo Estado.
«Se a partir de agora apenas forem comparticipados, a 100 por cento, os cinco produtos de cada classe a um preço mais baixo, quer dizer que os outros genéricos, ou não, ou ajustam de imediato os preços, o que nem sempre é fácil, ou então o doente passará o que não pagava», alertou.
O presidente da Associação Portuguesa de Medicamentos considerou ainda que estas novas medidas até podem ter alguns pontos positivos, mas são confusas para médicos e doentes.
«Pode criar-se uma espiral negativa de preços, com os preços a descerem a um nível que as empresas não podem suportar. Outra questão é a comparticipação ser apenas nos cinco produtos de preço mais baixo, o que quer dizer que se as empresas estiverem sempre a ajustar preços há o risco de os doentes às vezes pagarem alguma coisa [pelo fármaco] e outras vezes não pagarem nada», acrescentou.
O que na opinião de Paulo Lilaia «pode vir a ser uma situação bastante confusa, inclusivamente na relação médico/doente».