
Lancet:Tratamento com estatinas dispensa melhoria dos níveis HDL
As pessoas com níveis extremamente baixos de "mau" colesterol como resultado do tratamento com estatinas não beneficiam de um aumento dos níveis de "bom" colesterol, sugere um estudo publicado na Lancet.
Até agora, a tese defendida tem sido a de que para reduzir o risco de eventos cardiovasculares é necessário baixar o LDL ("mau" colesterol) e aumentar o HDL ("bom" colesterol).
No entanto, os investigadores britânicos responsáveis por este estudo fizeram uma descoberta inesperada: quando os níveis de LDL estão extremamente baixos, devido às estatinas, os níveis de HDL deixam de ter peso na equação do risco cardiovascular.
Para as pessoas incluídas no estudo que não tomavam estatinas verificou-se que níveis altos de HDL continuavam a proporcionar protecção cardiovascular.
"O HDL é um conhecido protector do risco cardíaco, o que tem levado a alguma especulação de que os tratamentos capazes de aumentar o HDL podem ser benéficos", explicou Paul Ridker, professor de Medicina em Harvard, acrescentando, contudo, que a maioria dos estudos realizados envolveram indivíduos ocidentais com níveis elevados de LDL. No actual estudo, "avaliámos o papel do HDL enquanto protector cardíaco nos indivíduos com níveis muito reduzidos de LDL".