
Ajuda financeira previne contágio com HIV
«Estes dois estudos mostram o potencial dos apoios financeiros para evitar que as pessoas, particularmente as mulheres e as raparigas mais jovens, tenham práticas sexuais de risco, só por permanecerem na escola e obterem vantagens através da educação», sublinhou o director do programa do Banco Mundial contra o HIV e a SIDA.
Os estudos foram divulgados antes da abertura da XVIII Conferência Internacional sobre a SIDA que começa este domingo em Viena, na Áustria. Num dos estudos, realizado entre 2008 e 2009 no distrito de Zomba, no Malauí, foi proposto a 3796 mulheres entre os 13 e os 22 anos receberem dinheiro com a única condição de ir a escola regularmente. «O dinheiro tornou as jovens menos vulneráveis ao HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis. Dezoito meses após o início deste programa, a taxa de infecção por HIV era 60 por cento inferior à das jovens que não recebiam dinheiro», destaca o BM num comunicado. O Banco acrescenta que estas jovens tinham menos actividade sexual e as que tinham escolhiam parceiros mais jovens e com menos risco.
Um outro estudo, feito na Tanzânia, testou 2399 mulheres e homens entre os 18 e os 30 anos, durante quatro meses, recompensando-os financeiramente em caso de resultados negativos. Ao fim de 12 meses, os investigadores detectaram uma descida de 25 por cento no número de doenças sexualmente transmissíveis.
O director executivo do Fundo Mundial Contra a SIDA, a Tuberculose e o Paludismo, Michel Kazatchkine, mostrou-se, por seu lado, «extremamente preocupado» com o nível de mobilização financeira a nível internacional. Este Fundo, uma parceria público-privada com sede em Genebra, pretendia angariar entre 13 e 20 mil milhões de dólares (cerca de 10 a 15 mil milhões de euros) este ano, para o período 2011-2013, junto de doadores públicos e privados. Mas dois meses antes da conferência de reconstituição deste Fundo, o seu responsável afirmou-se «incapaz de fazer um prognóstico».
Um relatório divulgado este domingo mostra que o financiamento dos programas de luta anti-SIDA nos países pobres baixou ligeiramente, passando de 7,7 mil milhões de dólares (5,9 mil milhões de euros) em 2009 para 7,6 mil milhões de dólares (5,8 mil milhões de euros) em 2008.