
Madeira: Rácio de enfermeiros é superior ao do País
O rácio de enfermeiros na Região é de 8 por cada 1.000 habitantes, o que supera os números nacionais, que são de 5.5 por cada mil pessoas e está próximo do rácio recomendado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), isto é, 9.7 por cada mil.
Os dados foram divulgados ontem pelo secretário regional dos Assuntos Sociais, à margem da cerimónia de entrega de diplomas aos novos enfermeiros formados pela Escola São José de Cluny.
Outra das vantagens apontadas por Francisco Jardim Ramos ao Sistema Regional de Saúde foi o facto de, na Região, não haver contratação precária de enfermeiros. Situação diferente do Continente, onde essa é uma prática muito comum, conforme disse.
Aliás, esta foi uma das suas explicações para uma notícia ontem publicada num matutino regional, sobre a saída de enfermeiros da Região.
Segundo Jardim Ramos, essas partidas referem-se a enfermeiros do Continente, que tinham concorrido a concursos regionais para fugirem à precariedade que encontravam no Continente.
O secretário regional acrescentou que esses enfermeiros acabam por voltar às suas origens, quer por terem atingido a idade de reforma, quer por terem deixado família no Continente e quererem para lá voltar.
Questionado sobre se a Região tem capacidade de absorção de novos profissionais desta área da Saúde, Francisco Jardim Ramos disse que, depois do último concurso terminado em Abril, está a ser feito um balanço do número de enfermeiros existentes e das necessidades de novos elementos. Esse estudo só estará concluído no final do ano e só aí se saberá o número de enfermeiros de que a Região ainda precisa.
No discurso feito na cerimónia, o secretário regional elogiou a Irmã Berta, directora da Escola, pela boa preparação que tem feito de novos profissionais nesta área, acção que Jardim Ramos considerou ter «efeitos muito positivos». Razão que deu para os contratos-programa que o Governo continua a assinar com este estabelecimento de ensino.
Aos jovens enfermeiros, o secretário regional deixou as saudações académicas, o abraço e as congratulações que o presidente do Governo Regional lhes enviou.
Jardim Ramos lembrou-lhes que a enfermagem é uma profissão muito exigente, com uma vocação muito própria, mas muito compensadora.
«Hoje é um momento especial, porque atingem a meta de um percurso pessoal e académico», disse o secretário regional, lembrando-lhes que são enfermeiros a partir de ontem, apesar de só em Setembro se poderem vincular na respectiva Ordem.
Escola deve ser espaço de inovação
A directora da Escola de Enfermagem São José de Cluny defendeu ontem, na entrega de diplomas a novos enfermeiros, ser necessário «apostar, cada vez mais, em novas qualificações, que sejam compatíveis com a produtividade que queremos para o nosso país».
Na sua opinião, a escola tem de se «impor como espaço de inovação educativa, com a colaboração de todos, para que o ensino superior em Portugal seja uma realidade, no confronto com os demais países europeus».
De acordo com a Irmã Berta e quanto ao ensino da enfermagem, «devíamos pensar melhor na organização dos recursos existentes nas instituições congéneres, a fim de apoiar o que é excelente, para intensificar a qualidade dos cuidados e, consequentemente, promover a saúde da nossa população».
Outra vertente que defendeu foi «a investigação e a internacionalização, de forma a procurar tirar mais proveito da sua diversidade, evitando duplicação».
Por outro lado, conforme disse, «os departamentos de uma instituição terão de se apoiar nas suas competências».
A Irmã Berta acrescentou que, nos últimos anos, o ensino superior sofreu grande alterações, nomeadamente na estrutura dos cursos, derivadas do Processo de Bolonha. Essa uma das razões que a levou a defender a necessidade de a escola que dirige se destacar pela inovação. Anete Marques Joaquim