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Ministério diz que exigências dos enfermeiros são "injustas"

"O Ministério da Saúde vê com alguma estranheza toda esta situação, uma vez que a proposta que está em cima da mesa das negociações valoriza a carreira dos enfermeiros e está a oferecer o que mais ninguém terá", disse à Agência Lusa fonte do Governo, referindo-se aos aumentos salariais e reagindo à ameaça de greve lançada pelos enfermeiros.

Na segunda-feira, o coordenador nacional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, José Carlos Martins, disse ter já sido entregue um pré-aviso de greve para os dias 29, 30 e 31 de Março, assim como 1 de Abril, caso o Ministério da Saúde não altere a proposta relativa às tabelas remuneratórias.

"O Ministério da Saúde propôs um aumento de 180 euros, ou seja, uma subida salarial de 20 por cento, já em 2011. Como não temos capacidade para aumentar todos os enfermeiros de uma só vez, devido aos constrangimentos económicos conhecidos, propusemos subidas faseados, um terço do total em cada ano, para que no final de 2013 todos os enfermeiros do primeiro escalão estejam a ganhar o mesmo", cerca de 1200 euros, explicou a referida fonte.

A medida é, no entanto, criticada por José Carlos Martins, que na terça feira acusou o Governo de manter "as propostas anteriores de profunda discriminação dos enfermeiros face a outros trabalhadores licenciados da Administração Pública".

"O Ministério da Saúde está a propor que os enfermeiros licenciados permaneçam a receber abaixo deste valor e só comecem a receber 1200 euros em 2014", referiu o sindicalista.

A posição do Ministério é diferente: "No momento em que o país enfrenta os constrangimentos económicos que são conhecidos, com os salários dos funcionários públicos a serem congelados e, mesmo assim, havendo subidas salariais para os enfermeiros licenciados, achamos muito estranha a recusa e não compreendemos esta exigência".

Segundo a mesma fonte, o Ministério "está a oferecer o que mais ninguém terá" e os sindicatos "estão a fazer exigências profundamente injustas".

Os enfermeiros já estiveram em greve no final de Janeiro, durante três dias. Na altura foi registada uma adesão média acima dos 90 por cento, segundo os dados revelados pelos sindicatos.


Fonte:www.jn.pt, 20100318
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