
Clinton e Gates pedem mais por menos na luta contra a aids
Viena, 19 jul (EFE).- O ex-presidente americano Bill Clinton e o magnata Bill Gates, fundador da Microsoft, passaram nesta segunda-feira na Conferência Internacional Aids 2010, em Viena, a mensagem de que é preciso fazer mais por menos na luta contra a doença.
"Cada dólar desperdiçado põe vidas em perigo", afirmou Clinton, um dos rostos mais conhecidos da luta contra a aids, durante seu discurso na conferência, que termina sexta-feira e reúne 25 mil participantes.
Segundo o ex-presidente americano, só é possível fazer as coisas "mais rápido, melhor e de forma mais barata" com a "disposição moral para pedir mais dinheiro" aos doadores em meio à maior crise econômica desde a Grande Depressão.
"Mais do mesmo não é suficiente. Não fazemos o suficiente contra a aids", ressaltou Clinton, criticando o gasto de fortunas para que especialistas compareçam "a reuniões e tomem aviões" enquanto a epidemia continua a matar dois milhões de pessoas por ano.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou hoje em Viena que, no final de 2009, 5,2 milhões de pessoas recebiam tratamento contra o vírus da aids, frente a quatro milhões em 2008.
O ex-presidente americano pediu apoio redobrado às organizações de base e aos sistemas nacionais de saúde em vez de dirigir todo o financiamento a organismos internacionais muitas vezes extremamente burocráticos.
Além disso, acima de qualquer outro aspecto, Clinton destacou que "a prevenção é a melhor estratégia", além de ser a mais barata.
A mesma linha teve a fala de Bill Gates, um dos maiores doadores individuais na luta contra a aids, que pediu criatividade e mudança de visão para dar um salto qualitativo no combate à doença.
O fundador da Microsoft disse que, mesmo enquanto se pedem mais fundos, é necessário também "tirar o maior benefício de cada dólar" e trabalhar para que os recursos sejam investidos de forma mais eficaz.
Gates falou da necessidade de reduzir as despesas de distribuição dos remédios contra o vírus HIV e de minimizar os custos de pessoal médico e de exames.
O magnata demonstrou ter maior esperança nas estratégias de prevenção e lembrou, por exemplo, a comprovada eficácia da circuncisão como meio de reduzir o risco de contágio.
Segundo Gates, apesar de 150 mil homens terem se submetido à circuncisão na África Subsaariana, outros 41 milhões ainda não o fizeram.
Além disso, o magnata lembrou que o uso de antirretrovirais reduz as possibilidades de transmissão da doença e disse estar "entusiasmado" com as perspectivas de microbicidas baseados neste tipo de medicamento e que podem ser administrados em forma de gel, comprimidos ou por injeção.
Para Gates, com uma agressiva campanha de prevenção "podemos diminuir de forma espetacular o número de novas infecções por HIV e começar a escrever a história do fim da aids".
Esta visão coincide com as novas diretrizes da OMS, que sustenta que o tratamento iniciado rapidamente não só permite salvar vidas, mas também reduzir os riscos de contágio ao diminuir o nível do vírus no sangue.
Os estudos da OMS indicam que as mortes devido ao HIV podem cair em 20% até 2015 caso os soropositivos comecem a receber tratamento logo no início da doença, o que reduziria o número de contágios.
Além disso, diversos cientistas reunidos no congresso em Viena asseguraram que as recentes e promissoras descobertas médicas tinham catapultado a ansiada vacina sobre a aids a uma "nova era".
"Vivemos um renascimento das pesquisas sobre uma vacina contra a aids", afirmou Seth Berkley, fundador de Iniciativa Global para uma Vacina contra o HIV, uma aliança internacional de cientistas, pesquisadores e doadores.