
Ministério e farmácias negoceiam pagamento de dívida
No sábado, o Diário Económico noticiava que as farmácias portuguesas vão começar a cobrar ao Estado juros de oito por cento pelos atrasos no reembolso das facturas dos medicamentos, a partir de Setembro. À margem do Congresso Mundial de Farmácia, a decorrer no Centro de Congressos de Lisboa, Ana Jorge disse saber que as farmácias têm vindo a falar nesta cobrança de juros e garantiu que vão por isso «entrar em negociações». «Penso que essa situação não será benéfica para o Estado no momento em que as dificuldades financeiras são grandes, mas tudo faremos para que cumpramos os nossos prazos, mas também que as farmácias possam cumprir com aquilo que é o seu compromisso com a saúde», disse a ministra aos jornalistas. Ana Jorge não confirmou que o problema maior, de cerca de 100 milhões de euros de dívida, esteja relacionado com a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte e disse não saber o valor da dívida real do Ministério da Saúde.
«Essa questão, quer com a ARS do Norte, quer com as outras terão de ser analisadas e vamos ver o que é que podemos fazer porque penso que é um problema geral e terá de ser enquadrada globalmente por todas as ARS com o Ministério, com a Associação Nacional de Farmácias e a Associação de Farmácias de Portugal», apontou Ana Jorge.
Antes, perante centenas de participantes no Congresso Mundial, a ministra da Saúde defendeu que «a política do medicamento assume um papel central nas políticas de saúde» e apontou que «é critico que os diversos governos privilegiem o acesso aos medicamentos nas políticas de saúde». «Em primeiro lugar temos de garantir aos cidadãos o acesso aos cuidados de saúde e à terapêutica de que necessitam nas melhores condições de qualidade, segurança e eficácia numa base universal, solidária e equitativa», disse Ana Jorge. «Mas temos igualmente de procurar soluções que garantam a sustentabilidade do sistema de saúde, por isso temos de ter a preocupação de procurar mecanismos mais racionais e eficientes, quer no que se refere à comparticipação dos medicamentos pelos Estados, quer no que se refere à sua disponibilização», acrescentou.