Vacina contra a Sida - vírus da imunodeficiência adquirida 
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Cientistas declaram nova era na vacina da sida

O desenvolvimento de uma vacina entrou numa 'nova era', apesar de persistirem alguns problemas, como a pouca troca de informações dentro da comunidade científica

'Estamos num dos momentos mais ricos em termos de investigação desde o início da epidemia', afirmou Peter Piot, presidente da Iniciativa Global por uma Vacina contra o VIH - uma aliança de cientistas e doadores - e ex-director da ONUSida, a agência das Nações Unidas que combate a Sida.

O perito lembrou que para haver uma descoberta é preciso sempre haver financiamento e defendeu que os resultados clínicos têm de ser partilhados com o resto da comunidade científica e contar com apoio governamental.

'Vivemos um renascimento das investigações relacionadas com a vacina da Sida', disse Seth Berkley, fundador da Iniciativa, lembrando a recente descoberta de anticorpos que neutralizam algumas variantes do vírus da imunodeficiência adquirida (VIH).

Mas para avançar mais é preciso melhorar a colaboração científica e definir objectivos prioritários na procura de uma vacina que possa reduzir a incidência de uma doença que afecta mais de 33 milhões de pessoas no mundo todo.

'Temos de juntar numa única agenda científica diferentes níveis de investigação para aumentar a troca de dados' e assim chegar à vacina, defendeu também Alan Bernstein, director executivo da Iniciativa Global.

'Não tem qualquer sentido não divulgar rapidamente pela comunidade científica os resultados negativos de uma experiência de modo a evitarmos a repetição de resultados destes. O mesmo acontece com os resultados positivos, que podem ajudar outros investigadores', explicou José Esparza, director do programa de sida da Fundação Bill and Melinda Gates, citado pela agência espanhola de notícias EFE.

'Partilhar informação não só nos fará poupar dinheiro como outra coisa ainda mais importante: tempo', acrescentou.

5,2 milhões de doentes em tratamento, mais 1,2 milhões de aumento num ano

Cerca de 5,2 milhões de seropositivos estavam a receber tratamento contra o VIH no final do ano passado, um aumento de 1,2 milhões de pessoas relativamente a 2008, segundo dados hoje divulgados pela Organização Mundial de Saúde.

'É o maior aumento de pessoas em tratamento num único ano", congratulou-se Hiroki Nakatani, vice diretor geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a sida, durante a Conferência Internacional dedicada à doença que decorre em Viena, na Áustria.

Os dados deste organismo indicam que no final de 2008 se encontravam em tratamento com antiretrovirais cerca de quatro milhões de pessoa.

Os antiretrovirais são medicamentos que tornam esta doença uma patologia crónica, permitindo aos doentes sobreviver à infecção, mas não matando completamente o vírus.

As novas diretivas da OMS, hoje divulgadas na conferência em Viena, recomendam que o tratamento comece mais cedo, mesmo antes de surgirem os sintomas, e que sejam usadas moléculas menos tóxicas.

Nas suas anteriores recomendações, em 2006, a organização aconselhava a que a doença começasse a ser tratada quando detectado um determinado nível de redução nas células CD4, as células da imunidade.

Essas antigas normas indicavam que os medicamentos deviam ser administrados a partir de uma redução de 200 CD4, quando o nível normal numa pessoa não infetada é de 1000 a 1500.

'Todos os adultos e adolescentes com um nível de CD4 de 350 células devem iniciar um tratamento antiretroviral, quer haja ou não sintomas clínicos', indica a OMS.

Esta recomendação já tinha sido transmitida no final do ano passado, por ocasião das jornadas mundiais da sida.

Durante a conferência em Viena, o antigo presidente norte-americano Bill Clinton apelou à comunidade internacional para uma utilização mais eficaz dos fundos contra a sida, em tempos de crise económica.

Vacina contra a Sida - vírus da imunodeficiência adquirida 

Fonte:dn.sapo.pt, 20100720
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