Cancro da mama no Brasil 
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Brasil: cancro da mama ainda não tem a atenção que merece

Neste ano, estima-se que 49.240 brasileiras descubram que têm cancro da mama. Destas, calcula-se que 37 mil vão conseguir tratar-se ? às vezes às custas de quimioterapia e até extracção da mama ? e que 12 mil não resistirão à doença, avança o site noticioso da Globo, o G1.

O número de casos, estimados pelo Instituto Nacional de Câncer do Brasil (Inca), está a crescer, pois a doença está ligada a factores de risco que têm aumentado, como o estilo de vida sedentário e o uso de píluas anticoncepcionais. Já a maior parte das mortes e do sofrimento destas mulheres podia ser diminuido se a doença fosse detectada com mais eficiência e tratada rapidamente, apontam organizações ligadas ao sector.

De acordo com o Inca, em alguns países desenvolvidos, como os EUA, Canadá e Noruega, há um crescimento da incidência do cancro da mama, mas redução da mortalidade. No Brasil, o maior número de casos é seguido de mais falecimentos. O número de mortes saltou de 5.760 em 1990 para 11.860 em 2008, aumentando de ano para ano.

Para a médica Maira Caleffi, presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio a Saúde da Mama (Femama), a taxa de mortalidade cairá quando as mulheres se dispuserem a fazer exames periódicos de mamografia e a rede pública de saúde estiver preparada para fazer o teste em todas as mulheres que procurarem o serviço.

Quatro a seis semanas

Segundo Maira, outro factor que aumenta a mortalidade é a demora no atendimento. O tempo ideal do ciclo de tratamento ? desde o exame que descobre o cancro, a biópsia até à cirurgia ou quimioterapia ? deveria ser de quatro a seis semanas. Na prática, as mulheres enfrentam filas de espera nos hospitais enquanto o cancro se desenvolve, e o tratamento pode durar meses.

?O cancro da mama tem cura e pode ser tratado sem mutilar a mulher?, afirma a médica Maira Caleffi, presidente da Femama - organização que reúne 42 ONG?s de combate à doença.

A boa notícia para as mulheres é que a rede de apoio está a crescer. A Femama, criada em 2006, já reúne 42 instituições, que actuam em 18 estados brasileiros. Em 2010, as ONG?s querem aproveitar o período eleitoral para convencer candidatos a incluírem nos seus planos de governo uma atenção especial à prevenção e controlo do cancro da mama.

Uma boa ajuda também está a vir de fora. Na semana passada, durante um fórum que discutiu o problema em São Paulo, a organização norte-americana American Cancer Society (ACS) anunciou a doacção de 350 mil dólares para fortalecer as ONG?s brasileiras.

Mamografia

De acordo com Gustavo Azenha, director de programas da ACS no Brasil, os tratamentos actuais permitem curar de 80% a 90% dos casos de cancro da mama, desde que o diagnóstico seja feito de forma precoce.

Para descobrir a doença, contudo, a associação não recomenda que a mulher faça apenas o auto-exame, pois quando a mulher é capaz de tocar nos seios e perceber o tumor, este já pode estar em estadio avançado.

A melhor forma de descobrir o cancro, de acordo com a ACS e a Femama, é a mamografia, que deve ser feita pelo menos a cada dois anos em mulheres que têm entre 50 e 69 anos.

Cancro da mama no Brasil 

Instituto Nacional de Câncer do Brasil

Fonte:www.pop.eu.com, 20100209
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