
Ministra insta médicos a avaliar também situação económica do doente
"O diagnóstico tem de ser o mais completo possível", defendeu a ministra, sublinhando estar em causa não apenas uma doença, mas "uma pessoa", cuja situação global deverá ser avaliada na altura da prescrição.
Para a ministra, todas as situações devem ser enquadradas, nomeadamente as condições económicas do doente e se é possível receitar o mesmo medicamento, com a mesma segurança e qualidade a um preço mais barato.
Ana Jorge comentava um estudo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, segundo o qual a poupança levaria a maioria dos inquiridos a trocar medicamentos de marca por genéricos.Questionada pelos jornalistas sobre a opção do médico ainda ser muito pelos medicamentos de marca conhecida, a ministra disse que tem vindo a ser feita uma grande campanha de sensibilização junto destes profissionais e que o estudo agora divulgado pode ser "uma boa ajuda" para que todos os clínicos "reflitam sobre isso"."Só se deve prescrever aquilo que os doentes precisam e dentro dessa prescrição tentar escolher aquilo que são os mais económicos", declarou.
Ana Jorge falava aos jornalistas no final da cerimónia de entrega de 11 viaturas destinadas a equipas de cuidados continuados domiciliários na região de Lisboa e Vale do Tejo e da assinatura de 16 protocolos com Agrupamentos dos Centros Saúde de Oeiras, Odivelas, Amadora, Loures, Cacém-Queluz, Cascais, Serra D´Aire e Ribatejo, cujas equipas vão integrar a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI).
Estas medidas permitem a idosos e pessoas dependentes terem assistência em casa quando necessitarem de fazer um tratamento, como mudar um penso ou outros cuidados de enfermagem. Questionada sobre a falta de recursos humanos, nomeadamente devido aos pedidos de reformas antecipadas, a ministra reconheceu que este é "o eterno problema na Saúde".
Neste momento, dos pedidos de reformas que estão a ser feitos entre todos os profissionais, os mais preocupantes são os dos médicos, admitiu."Estamos a trabalhar com o Ministério do Trabalho e com o Ministério das Finanças e da Administração Pública para conseguir pensar quais são as formas de saída deste processo das reformas antecipadas, sem tirar o direito às pessoas da reforma antecipada", indicou.Segundo Ana Jorge, "ainda é cedo" para anunciar qualquer conclusão, mas o assunto está a ser tratado com o envolvimento de "algumas estruturas sindicais".