
Novo teste genético para casais que pretendem 'engravidar' - Sol
Realiza-se através de uma análise à saliva para verificar se os futuros pais são portadores de mutações genéticas que podem levar a doenças graves como a fibrose quística, a atrofia muscular espinhal ou a drepanocitose (uma doença do sangue). Segundo avança o jornal britânico The Times, estará disponível dentro de poucas semanas.
Se o teste - que irá custar entre ?450 por pessoa ou ?800 por casal - for adoptado em larga escala, poderá diminuir drasticamente a incidência de 109 doenças hereditárias graves, que em Inglaterra afectam um em cada 280 partos.
Mas antes mesmo de ser lançado já está a causar polémica, em termos éticos. Os críticos consideram que as doenças que detecta são demasiado raras, não havendo necessidade de a maior parte da população fazer o seu rastreio. Defendem ainda que irá causar um alarme social desnecessário e que irá, provavelmente, contribuir para o aumento dos rastreios embriões e para o aumento dos abortos. Um especialista em genética defende mesmo que tem um desconfortável 'sabor eugénico'.
A preocupação é ainda maior porque se a clínica londrina que fará os testes oferece aconselhamento genético, a empresa americana que o desenvolveu, a Counsyl, planeia vendê-lo directamente aos consumidores britânicos através da internet - para uso doméstico e sem aconselhamento.
O teste revela se as pessoas são portadoras de genes mutantes que causam 109 doenças genéticas recessivas. Quem apenas tenha uma cópia destes genes não é normalmente afectado pela doença, mas se o seu parceiro também for portador o filho de ambos tem uma em quatro possibilidades de herdar as duas cópias e desenvolver a doença.
Apesar de já haver testes específicos para determinadas doenças, como a fibrose quística, a novidade do teste é que rastreia múltiplas doenças e não é dirigido para grupos de alto risco, antes para a população em geral. Nos Estados Unidos já está disponível em várias clínicas de fertilidade.
A empresa afirma que uma em cada três pessoas é portadora de, pelo menos, um destes genes. Em cerca de um em cada 165 casais que fez o teste, nos Estados Unidos, ambos os parceiros eram portadores da mesma mutação; tais valores, no entanto, podem reflectir o interesse deste teste para a população de alto risco.
SOL