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O sábado seguinte no Funchal

A O sábado seguinte. Uma semana precisa, depois do dia dramático de chuva intensa que assolou a Madeira percorremos a zona baixa do Funchal, uma das mais afectadas com a intempérie. A ideia foi estabelecer um paralelismo com o cenário resultante das cheias intensas das ribeiras que desaguam no litoral da capital.

Sem esconder que existe ainda muito trabalho pela frente na própria cidade, além de todo o outro necessário para alguns pontos da ilha mais atingido, a verdade é que há uma evolução notória que as imagens não desmentem.

Focamos em algumas imagens que foram obtidas naquele fatídico dia 20 de Fevereiro e procuramos os enquadramentos daquele dia para poder facilitar a comparação. E, com elas, quase nos atreveríamos a escrever que seguindo a ideia que uma imagem vale mais de mil palavras, poderíamos ficar simplesmente por aí. Mas, se é verdade que isso às vezes acontece, neste caso concreto exige o complemento da escrita. Porque as imagens são frias e não mostram o que está para lá dos seus quatros lados.

Por exemplo, no Campo da Barca, encontramos uma zona em ritmo acelerado de recuperação, mas que ainda tem muitas obras pela frente. Ontem passava alguma água sob as pontes, mas nada comparável com a que há uma semana nem conseguia passar no canal que, normalmente é mais do que suficiente para a fazer chegar ao mar, passando, então a utilizar as estradas para traduzir as leis da física e seguir o trajecto descendente até o oceano que depressa viu o seu azul majestoso invadido pelo castanho carregado que o tingiu até bem longe.

A estação de reabastecimento de combustível que ali existia veio abaixo. Uma parte com a força da água, outra com a máquinas que estão no terreno.

Mais abaixo, na área do Mercado dos Lavradores, as obras decorrem a bom ritmo, tal como acontece no Largo do Pelourinho e na Praça da Autonomia.

Percorremos a Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses que está desimpedida e perfeitamente transitável. A excepção vai para a faixa sul que, por uma questão estratégica está a ser utilizada por camiões e máquinas para acederem ao aterro provisório criado no calhau.

Na zona da Rotunda Sá Carneiro, embora sem o caudal de há uma semana, que alagou toda a avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses, ainda há alguma perturbação. Tal como acontece na rotunda do Dolce Vita, a passar por trabalhos intensos.

Mas, a zona central da cidade, desde a área hoteleira até quase ao fim da Rua Dr. Fernão Ornelas, tudo está normal. Tão normal que, se ao passar junto à estátua de João Gonçalves Zarco não olhar para baixo, com o cais ainda sujo para outro acesso a um aterro, e na ponte junto do Bazar do Povo, se não olhar para sul, onde estão a ser feitos trabalhos de recuperação, não sabe que o Funchal passou por tamanha tempestade no último sábado. Inclusivamente o café do Teatro, que foi afectado, já tinha pessoas confortavelmente sentadas, e as Galerias São Lourenço estavam abertas.

Por isso mesmo, residentes na ilha e estrangeiros passeavam despreocupados no imenso passeio existente entre o teatro e a sé. E sobretudo depois de uma noite onde se dizia que vinha aí uma nova tempestade, que acabou por passar ao largo, embora deixasse vestígios resultantes de algum vento forte e de alguma chuva.

E é precisamente esta recuperação acelerada que deixa Bruno Pereira satisfeito. Apesar do trabalho intenso que tem tido desde as vésperas do mau tempo na preparação da prontidão de todos os meios para o mau tempo esperado naquele sábado de Março, o vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal reconheceu a visibilidade do trabalho feito na cidade. Um trabalho que diz acontecer fruto de muito trabalho e convergências de vontades das mais variadas entidades, das corporações de bombeiros, das forças policiais e militares, e associações, como as dos escuteiros que chegaram a ter uma média de 100 elementos diariamente a ajudar nos afazeres necessários.

Acentua que foi um trabalho meritório de um sem número de pessoas para os quais não quis deixar de fazer um louvor público. Considera que foi um grande exemplo para o País bem demonstrativo da tenacidade que é único de reposição do que ficou estragado.

A este propósito, considera relevante que esta mensagem chegue aos diversos mercados geradores de turismo e, nesta fase mais imediata, realça que o nacional poderá ser muito importante para esbater algumas quebras resultantes de cancelamentos.

Daí que, pese embora reconheça o trabalho meritório que o Turismo da Madeira tem feito, sensibilize os madeirenses para que continuem a utilizar as suas redes sociais na internet como têm feito para passar mensagens positivas como a recuperação que já foi e continua a ser feita na cidade.

Na oportunidade, o edil revelou que é intenção do município ter abertas amanhã todas as ruas da cidade do Funchal, com excepção de algumas que ladeiam as ribeiras, que carecem de mais algum tempo. Inclusivamente adianta que a faixa norte da Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses vai abrir a faixa norte para os dois sentidos.

Por outro lado, Bruno Pereira deixa uma nota se sensibilização para uma utilização ainda mais cuidada no saneamento básico para evitar problemas que possam resultar de algum assoreamento na rede. Paulo Alexandre Camacho


Fonte:www.jornaldamadeira.pt, 20100301